Transforma em êxito transversal uma canção sobre não querer entrar numa clínica de desintoxicação nem por nada. Bebe como gente grande. Amy Winehouse, 23 anos bem medidos, responde a tudo. (
Texto de Marcel Anders
)
Não se sabe se a juventude de Amy Winehouse é a condição primeira da sua irreverência ou se com a idade esta nativa do norte de Londres se transformará num sarilho ainda maior. Os críticos alegam que ela se veste como se lhe tivesse calhado em herança o guarda-roupa de uma meretriz de subúrbio. Mas quase ninguém ousa negar o que meio mundo já percebeu: esta mulher tem uma voz que ecoa e a soul, em 2007, não precisava de outra coisa. Num quarto de hotel, chovem raios e coriscos.
Porque levou quase três anos a criar o sucessor de Frank? Sentiu-se bloqueada?
Tive de promover o primeiro álbum e depois tirei um ano e meio para mim, para ter assunto para as canções. E lá escrevi um álbum sobre isso.
Então é preciso viver para compor um disco?
Sim, é normal, ouvir um disco tem a ver com isso e não com dar entrevistas em quartos de hotel.
Por que razão se afastou das raízes do jazz e se dedicou aos «girl-groups» dos anos 50 e 60?
É o que tenho andado a ouvir, na verdade. Parei de ouvir jazz, comecei a ouvir mais bandas de miúdas, muita coisa dos anos 60.
Como as Shangri-Las ou as Supremes?
Sim, muita coisa desse género.
Viu Dreamgirls, o filme sobre Diana Ross?
Não, não vi.
Há uma remistura de «I’m No Good» pelo Ghostface Killah. De onde surgiu essa paixão pelo hip-hop?
Bom, cresci com o jazz e o hip--hop, por isso tenho sorte que haja muitos rappers de quando eu era mais nova que ainda estão no activo. Assim posso ir ver os concertos dos meus ídolos. Tenho muita sorte.
Tem de me falar das Sweet’n’Sour, o seu duo de hip-hop.
Sweet’n’Sour... acho que tinha nove ou dez anos na altura. Não foi nada de sério mas foi divertido. Gravámos umas duas canções, foi porreiro. Ela continua a fazer música, tem muito talento.
Eram como as Salt’n’Pepa e grupos do género?
Sim, mas numa espécie de versão infantil.
Essas canções estão disponíveis?
Não, para dizer a verdade não sei onde estão. Não faço ideia, nem sequer tenho uma cópia. É muito engraçado.
A primeira vez que ouvi a sua voz não percebi o quanto é jovem. É uma espécie de alma velha?
Acho que sim. Diz-se que sim, diz--se que sim.
Os homens são todos iguais
Porquê outro álbum sobre um ex-namorado? Todos os homens que a magoam acabam nas suas canções? É terapêutico, escrever sobre eles?
Depois do último, acho que é impossível um homem magoar--me.
Bateu no fundo do poço?
Na altura, sim. Quer dizer, por acaso o meu namorado está a magoar-me agora. Porque não atende o telefone. Deve estar com uma miúda ou assim. Não dói a sério, é só incrivelmente irritante. Mas sim...
Então a música é como uma terapia?
Sim, acho que sim.
O seu pai não acha que estas canções são demasiado rudes?
O meu pai tem piada. Não são, na verdade... O meu pai não vê que as minhas letras falem de mim, tipo todas as minhas letras sujas… Mas ele gosta das minhas canções, o meu pai tem mesmo piada. Ele é porreiro, é mesmo engraçado.
E quanto a «Me & Mr. Jones»? Está a brincar com «Me & Mrs. Jones» de Harold Melvin & The Blue Notes?
Sim, acho que sim. Escrevi «Me & Mr. Jones» acerca do Nas, na verdade. Estava a dizer a um tipo com quem saía na altura: «não faz mal, não te preocupes com a cena do Slick Rick», «ninguém se intromete entre mim e o Nas». Acho que é o que estou a dizer.
E «You Know I’m No Good»? É sobre trair alguém com um ex?
Sim. Não é bem uma traição porque ele não era meu namorado. Mas sou eu a dizer, «bom, eu avisei que não era flor que se cheire, portanto...».
Este disco é como uma polaroid do passado? Lida com uma relação que já ultrapassou há muito tempo?
Sim, espero que sim.
Porque agora tem uma relação melhor?
Sim, suponho que sim.
Então acredita em finais felizes?
Sim, acho que sim. Sim, é claro que acredito em finais felizes. (risos)
E tatuagens? Quantas é que tem?
Doze ou 13…
Todas feitas nestes três anos?
Não, já tenho tatuagens desde os 15 anos. Mas a maior parte destas nos braços, sim, no último ano, ano e meio.
Tem algumas tatuagens old-school, não é?
Sim, a maior parte delas são como as velhas tatuagens dos marinheiros.
Porquê?
É só um estilo de que gosto.
Como as pin-ups e assim?
Sim.
E convenceu o Alex, o seu namorado, a fazer tatuagens também?
Sim, não foi muito... Foi um bocado irresponsável. Ele gosta dessas coisas todas.
As tatuagens podem tornar-se viciantes?
Acho que sim.
Isso quer dizer que vai haver mais?
Para mim não. Para mim não.
E exercício excessivo? Também é um vício?
Sim, tenho uma personalidade muito viciante. Mas já não vou
ao ginásio, ando muito ocupada.
| BLITZ 11 |
 |
|
Entrevista completa e mais informação na BLITZ de Maio, já nas bancas. |
|
|
Fiquei chocado quando vi algumas fotografias suas de há três anos – só aí é que percebi que perdeu muito peso. Quando é que isso aconteceu?
2004, já foi há algum tempo.
O que a fez perder tanto peso?
Não sei. Fiz muito exercício. Desculpe, sou mesmo uma merda nisto.
Peço desculpa…
Não, sou mesmo uma merda nisto tudo. Ia muito ao ginásio, deixei de fumar erva. Pareço mais saudável quando estou com mais peso, claro, mas na verdade tornei-me mais saudável quando perdi peso.
Parou com isso tudo? Está a tentar recuperar peso?
Não sei. Não é coisa que me preocupe neste momento.
Nader Group International/Planet Syndication (
Tradução de Luís Bento
)
Texto de Marcel Anders, Sexta, 27 de Abril de 2007 às 9:00
|
grande artista da soul e grande mulher!
Para quem tinha uma estrutura física bem razoável, a Amy está completamente esquelética.. certamente já terão visto http://img.dailymail.co.u...
Respeito as opiniões construtivas, as outras não tenho respeito nenhum.
Tenho 63 anos, mas não fiquei parado no tempo.
AMY WINEHOUSE,é um caso de grande talento. o resto não me importa.O que lhe sesejo é que recupere de algum problema que tenha.Obrigada por me darem ésta opurtunidade de falar desta GRANDE GRANDE VOZ.