Os ingleses
THE PRODIGY
, que no próximo mês de Dezembro actuam no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, são a figura de capa da revista
BLITZ de Dezembro
, já nas bancas.
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E afinal o queixo pertencia a.... |
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... Keith Flint, dos Prodigy! |
Sobreviventes da electrónica dos anos 90, os
PRODIGY
são mais que uma banda. Orgulhosamente arruaceiros, Keith Flint, Liam Howlett e Maxim consideram-se parte da herança cultural inglesa. Bem longe da família real, imersos em "pints" e outros combustíveis, explicam a Johnny Davis como gerar o caos em qualquer cenário. Leia aqui um excerto desta feroz entrevista "na estrada".
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Os Prodigy estão na capa da BLITZ de Dezembro |
"Demos mais concertos que nunca", diz o mentor da banda, Liam Howlett. "Estamos a tocar em todo o lado. Abrimos para os Metallica. É muito difícil para eles arranjarem bandas para abrir os concertos porque, assim que entramos em palco, no público levantam-se logo as bandeiras todas dos Metallica, o público deles quer que as outras bandas se lixem. Eles estão em digressão com os [banda de metal de culto] Mastodon, e mesmo eles levam com garrafas todas as noites". "Nós não levámos com garrafas", diz Keith Flint, vocalista e dançarino. "Porque temos a música mais dura que há", diz o MC Keith "Maxim Reality" Palmer. "Não há som mais pesado do que o nosso". "Sempre tivemos uma atitude de "vão-se foder", fazemos as coisas nos nossos termos - na verdade é a nossa única política", realça Howlett. "Vimos de uma verdadeira cultura britânica juvenil", diz Flint. "A cena das raves foi maior do que o punk. Não andámos no Conservatório. Algumas das nossas canções nem sequer são afinadas".
Quatro décadas de rádio e a assinatura de programas que tiveram a capacidade de definir os tempos fizeram de
ANTÓNIO SÉRGIO
uma referência maior do panorama musical português. O homem do
Som da Frente
ou d'
A Hora do Lobo
desapareceu a 1 de Novembro, aos 59 anos. Rui Miguel Abreu falou com Ana Cristina Ferrão, mulher do radialista durante 30 anos, e juntos contam a história da vida do Mestre.
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António Sérgio é o destaque do Retrovisor deste mês |
"Quando se abre o microfone, numa estação de rádio, não se tem, normalmente, ninguém pela frente - o auditório é invisível e isso é quase sempre ponto fulcral na hora de se tentar explicar a magia deste meio. Mas nem a invisibilidade contraria a certeza de que do outro lado há sempre uma multidão à escuta. Para António Sérgio, no entanto, bastava que uma só pessoa o escutasse para que aquilo que fazia valesse a pena. Cada pessoa que o ouviu ao longo das últimas décadas terá sentido pelo menos uma vez que Sérgio lhe falava ao ouvido, naquela voz grave e segura que revestia qualquer sugestão de uma improvável nobreza.
Ana Cristina Ferrão, sua mulher desde 1979, confirma esta ideia na hora de fazer o balanço de uma vida: 'Claro que ele tinha a noção de que estava a falar para muita gente, mas nunca ligou muito a isso. Penso que privilegiava mais a comunicação singular. Aliás, costumávamos brincar e dizer às vezes 'será que esta noite temos um ou dois ouvintes?'. E depois alguém telefonava a dizer que nos estava a ouvir e nós brincávamos: 'afinal já são três'. Eram muitos mais. Continuam a ser muitos mais.
Trinta anos depois da edição de
London Calling
, agora reeditado, o mundo não mudou muito. Mas aquela música - de cabelo curto e cabedal, do jazz à soul, do rock ao reggae - salvou vidas. Mesmo que tenha dado cabo dos
CLASH
, engolidos pela dimensão que conquistaram, conta este mês na BLITZ João Bonifácio.
Oficialmente os Clash entraram para a história como defensores do povo, os revolucionários de serviço cuja causa era a "working class". A expressão chave é esta. Conhecemos o cliché: de um lado velhinhas com chá e scones ao lanche, gente enfunada em regras de educação incompreensíveis, incapaz de comunicar emoções, muito rígida, muito frígida. Do outro, o povo, a "working class", uma cambada de brutos iletrados, amantes de cerveja e pancada.
É um cliché, mas não há cliché sem verdade. Na literatura de Jane Austen, no magnífico livro de L.P. Hartley The Go-Between, na poesia de Larkin, no argumento de Harold Pinter para o filme The Servant, a diferença de classes é notória. No cinema, Mike Leigh ou Ken Loach mostram esse abismo de classes. Séries de humor como Little Britain capitalizam nessa ideia de uma "working class" grotesca.
Supostamente, o punk era o grito de revolta de miúdos de classe baixa e desde as primeiras aparições dos Sex Pistols que se formou uma espécie de cartilha obrigatória do punk: tinha de se estar "on the dole" (forma britânica de "rendimento mínimo assegurado"), era preciso vir da "working class", não saber tocar, e de preferência usar cabelo curto e casaco de cabedal.
Todos conhecem
MADONNA
: a rainha da pop, a mulher mais bem sucedida de sempre no mundo do espectáculo, a mãe de família multicultural. Mas quem diria que, na aurora dos anos 80, Miss Ciccone foi artista de graffiti, ou que o primeiro concerto a que assistiu, ainda adolescente, foi de David Bowie? Austin Scaggs sentou-se com Madonna, numa das mansões da Material Girl, e lançou-se a uma entrevista de vida com aquele que é, provavelmente, o fenómeno mais fascinante da pop do século XX.
Cresceu em Pontiac, nos arredores de Detroit, onde algumas das suas primeiras influências musicais surgiram em festas e churrascos na sua vizinhança, onde viviam muitos afro-americanos. O que recorda dessa altura?
A Motown estava por todo o lado. Stevie Wonder, Diana Ross e Jackson 5, foi com eles que cresci. Mas quando estava no secundário mudámos-nos para um subúrbio, dominado pela classe média e pelos brancos. Ali não havia festas em casa, não havia música aos berros na casa ao lado. Senti-me alienada, e foi aí que criei o meu mundo. Decidi tornar-me uma bailarina profissional. Tornei-me mais introvertida, e fugia de casa para ir a concertos. Estava ciente do poder da música nessa altura, apesar de não poder expressá-lo a ninguém.
Quais foram os primeiros concertos que viu?
O meu primeiro concerto foi do David Bowie no Cobo Hall [em Detroit], quando tinha 15 anos. Ele tinha uns mimos no palco. Foi fantástico. Gostava de o ter visto como Ziggy Stardust. O meu segundo concerto foi do Elton John, e o terceiro foi do Bob Marley. Nada mau, hã?
Nada mau mesmo. Bebia nos concertos?
Quando estava no liceu? Nem pensar. Era uma atada. Não bebi até me divorciar pela primeira vez [de Sean Penn], quando tinha 30 anos.
A década está quase a acabar e os
FRANZ FERDINAND
, que em Dezembro dão o primeiro concerto em nome próprio no nosso país, vão certamente ficar no livro de honra dos anos 00. Mais do que a aclamação, porém, o que interessa aos Franz Ferdinand é a agitação. Nick McCarthy, o guitarrista da banda, partilhou com a BLITZ alguns peculiares momentos vividos em Portugal...
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Os Franz Ferdinand tocam a 2 de Dezembro no Campo Pequeno, em Lisboa |
Quando tinha 18 anos, o guitarrista do Nick McCarthy teve uma experiência inesquecível na cidade do Porto. "Vim sozinho numa viagem da escola e fui enganado!", conta-nos, bem disposto e sem ressentimentos. "Mas a culpa foi minha! A história é incrível: vínhamos numa caravana, saímos e ficámos a olhar para cidade, de um miradouro. Nisto aparece um tipo de trás de um arbusto, com uma agulha no pescoço! Injectou-se e a seguir tirou-a. Pensámos nós: ele deve ter droga! Vamos tentar comprar-lhe haxixe. E ele vendeu-nos qualquer coisa que não era haxixe. Quando me lembro do tipo a sair do arbusto... incrível!", recorda, entre risos, comparando a aura do Porto à de Glasgow, de onde os Franz Ferdinand são naturais.
Também com regresso a Portugal marcado para breve, os
EDITORS
falaram com a BLITZ sobre filmes de ficção científica, sintetizadores e a importância da disciplina. Leia aqui um excerto da entrevista com o vocalista
Tom Smith
:
A maioria dos fãs de rock não gosta muito de bandas que se aventuram nas electrónicas. Não têm medo de desiludir os vossos seguidores mais acérrimos?
Não tenho medo de nada, para ser sincero. Tenho plena consciência que alguns fãs podem não gostar tanto deste álbum quanto gostaram dos anteriores, mas também acho que para outros este poderá ser o álbum preferido dos Editors. As bandas devem desafiar o seu público e não penso que as coisas devam ser fáceis. As boas bandas não jogam pelo seguro. Não admiro as que se repetem.
Nas vésperas do regresso de
MARILYN MANSON
a Portugal, Octávio dos Santos apresenta-lhe o fanático de cinema que se esconde na estrela de "Antichrist Superstar". Câmaras, trevas, acção!
Antes foi o coração em
Eat Me Drink Me
, os dois "M" estilizados (segundo a estética nacional-socialista?) em
The Golden Age Of Grotesque
, o símbolo "lunar/masculino/sacrificial" em
Holy Wood
, o comprimido em
Mechanical Animals
, o relâmpago/"sinal de perigo eléctrico" em
Antichrist Superstar
, o chapéu em
Smells Like Children
...
Agora, a imagem estampada no seu mais recente disco,
The High End Of Low
, é muito significativamente, uma bobina - que, presume-se, quando dentro de um (ligado) leitor de CDs, "desenrolará" o filme, ou um dos filmes, da sua vida... E a "sequência", ou seja, a canção, mais importante deste "filme" é "I Want To Kill You Like They Do In The Movies", nove torturantes minutos em que um desvairado "realizador" descreve aquilo que pretende fazer à sua "actriz" principal:
"Eu quero foder-te como num filme estrangeiro, e não existem legendas para te ajudar enquanto ele durar. (...) Alinhem, rolar câmara, tu finges, eu finjo, e corta, corta, corta, corta. (...) Eu quero matar-te como eles fazem nos filmes, mas não te preocupes, existe outra como tu, à espera na fila (...)"
.
Na
Máquina do Tempo
, recuamos este mês até Agosto de 1966 e encontramos a noite em que
JIM MORRISON
inventou "The End" - recordada pelos seus companheiros dos
DOORS
.
Um
roteiro
dos concertos que aí vêm completa o "miolo" da revista BLITZ de Dezembro, onde pode encontrar ainda entrevistas com os
RAMMSTEIN
- horas antes de a banda subir ao palco do Pavilhão Atlântico, confessou a José Miguel Rodrigues as suas inseguranças - e com os
AIR
, que em conversa com Mário Rui Vieira mostraram a sua faceta mais romântica.
Nos
Quase Famosos
, os
THE XX
e
TERATRON
falam mais alto.
No
GUIA
, o destaque vai para a reedição de
Bleach
, dos
NIRVANA
, as reedições dos
KRAFTWERK
e o projecto
RUA DA SAUDADE
, mas vai poder ler, também, críticas aos novos discos de Norah Jones, Slayer, Dizzee Rascal, Joana Rios, Atlas Sound, Robbie Williams, Joss Stone, REM, The Invisible, Basement Jaxx, Bon Jovi, Skunk Anansie, Tom Waits, Julian Casablancas, Pássaro Cego, Snow Patrol, The Mountain Goats, Cesária Évora ou a compilação
Amália Coração Independente
.
Nos
DVDs
, mostramos-lhe o "Hotel Paraíso" dos
KILLERS
e passamos ainda por
Live At Reading
dos
NIRVANA
e por
Live At the O2 London
dos
KINGS OF LEON
.
DAVID GUETTA
, um dos DJs e produtores mais badalados do momento, e o jogo
DJ HERO
são os destaques, este mês, da rubrica
DANCE DANCE DANCE
.
No
AO VIVO
, recorde os concertos de
RAMMSTEIN
e
DEPECHE MODE
no Pavilhão Atlântico.
A BLITZ de Dezembro fica completa com um
especial de 17 páginas com dicas para o Natal
que se aproxima, de discos e DVDs a roupa e todas as novidades que gostaria de encontrar debaixo do pinheiro lá para dia 24.
A BLITZ de Dezembro já se encontra nas bancas, acompanhada como habitualmente do jornal Optimus/BLITZ.
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Ou este ano fizeram o favor de atrasar e fazer como deve ser?
Interessa-me também o artigo relativo a Madonna e a justa homenagm a António sérgio.
Esta parece-me uma edição interessante, sim senhor.
Cumps.
Pessoalmente, apenas me aguça a curiosidade as críticas aos álbuns de Tom Waits (eu me confesso: ainda não ouvi!!), dos Mountain Goats (óptimo álbum numa abordagem pouco comum e muito interessante!) e de Dizzee Rascal (que nem sequer sabia que tinha álbum novo! Tenho que prestar mais atenção).
De resto, realmente a revista é actual, se tivermos em conta os concertos que vêm aí: Prodigy, Franz Ferdinand, Editors, Marilyn Manson....Mas a verdade é que soa muito a déja-vu.
Vou manter-me fiel e acreditar que é um número "entalado" entre uma comemoração de 25 anos e a revista de balanço do ano (será que a Blitz também fará um balanço da década?? Ficaria curioso).
Ainda que a maior parte das artigos em formato "flashback" sejam apenas traduzidos de outras revistas, ainda são das coisinhas mais interessantes que a Blitz publica.
Esperemos agora que voltem a pegar num próximo mês num artigo dos Queen para comemorar a edição da compilação mais recente +.+
Vão dar sangue...
Edição interessante!