|
|
|
Peter Murphy na Aula Magna [texto+fotos]
|
|
| Senhor de canções intemporais, romanticamente góticas como convém em noite de Halloween, Peter Murphy mostrou o seu lado mais intimista a fãs dedicados e fiéis. |
|
|
O bom de ser artista com uma certa longevidade - mais de três décadas ao serviço da música - é ter uma base de fãs dedicada e atenta. O regresso a Lisboa, um ano depois de ter passado pelo Coliseu dos Recreios, foi um encontro com velhos amigos que, apesar de não se terem manifestado muito no início, voltaram a render-se plenamente aos encantos do seu ídolo.
A Secret Cover Tour foi o motivo deste regresso aos palcos nacionais, mas quem esperava uma actuação totalmente despojada, enganou-se redondamente. Murphy apresentou-se com uma banda completa (bateria, baixo e duas guitarras) e não teve problemas em oferecer verdadeiras descargas rock (sem perder o intimismo).
Às 23h00 em ponto, o músico mais vampiresco de todos os músicos (haveria melhor para noite de Halloween?) entrou em palco para espojar desde cedo todo o seu glamour. Sempre irrequieto em palco e espirituoso até mais não, Murphy foi servindo canções novas, como "Velocity", outras que fizeram a história recente da sua carreira, como "Things to Remember", e temas antigos mas daqueles que só se oferecem aos fãs mais dedicados, como "Disappearing".
Quando a parede instrumental já parecia começar a sufocar demasiado a voz do protagonista, "I'll Fall With Your Knife" manteve-nos distraídos e o público reagiu finalmente de forma mais entusiasta. Depois de algumas brincadeiras e trocas de galhardetes em cima de palco, que transpiraram boa disposição para a plateia, começou finalmente o desfile de canções que se exigia.
"Sem pessoas como vocês, artistas como nós não poderiam existir" foi o grande agradecimento ao seu público que serviu de introdução para o sempre belíssimo "Marlene Dietrich's Favourite Poem" (ovação certa), ao qual se seguiu "Time Has Got Nothing to Do with It", do velhinho
Love Hysteria
, cantado na penumbra da frente de palco.
"Secret Silk Society" é o novo tema que Murphy assegura, sempre divertido, que dentro de cinco anos será considerado um sucesso - "É uma boa canção", exclama. "Too Much 21st Centuy" é a primeira incursão pelo repertório dos Bauhaus, com o músico a caminhar em círculos vertiginosos, interrompidos para oferecer uma garrafa de água a um petiz sentado com os pais na primeira fila.
Os três encores encheram as medidas da plateia: "Strange Kind of Love", mágico como sempre, servido em guitarra acústica; "She's In Parties", dos Bauhaus; "Cuts You Up" manteve o público de pé e colocou um ponto final ao segundo encore, com Murphy a puxar a tal criança para o palco e a sair com ela ao colo.
Como o público não desistiu e cantarolou a plenos pulmões até nova entrada, Murphy ofereceu finalmente as tais "secret covers" que dão nome à digressão: "Transmission" dos Joy Division e a finalizar com chave de ouro "Space Oddity" de David Bowie, com a banda deitada em palco numa versão hipnotizante que deixou corações a bater descompassadamente.
Continua grande, continua um senhor e está mais dedicado ao seu público que nunca. Peter Murphy pode ter 30 anos de música atrás de si, mas não deixa de ser pertinente e de alimentar um culto de que é totalmente merecedor. Esta noite provou isso e, apesar de ter demorado a arrancar, não deixou amargos de boca.
|
Na primeira parte, a britânica Lettie |
Na primeira parte, a britânica Lettie mostrou o seu competente "one woman show", entre guitarras e sintetizadores, numa uma ambiência que presta vassalagem a projectos como Cocteau Twins ou Mazzy Star.
Texto de:
Mário Rui Vieira
Fotos de:
Rita Carmo/Espanta Espíritos
|
|
|
|
Notícia escrita por
RCarmo
|
|
|
Partilhar no Facebook
|
|
|
por acaso nao tiraste uma fotografia ao rapazinho que foi com o Peter para o palco?? ele tava tão contente :D que querido!
e no fim, foi um óptimo concerto! estava muito bem humorado o Sr. Murphy :)
para mim os momentos da noite foram: She's in the Parties, e a Cuts You Up :)
Volta Peter ;)
E com o bilhete à pala: melhor ainda!
Parabéns, Mr. Murphy, por essa enorme postura e, acima de tudo, pela arte!
[quote] ... Murphy ofereceu finalmente as tais "secret covers" que dão nome à digressão: "Transmission" dos Joy Division e a finalizar com chave de ouro "Space Oddity" de David Bowie... [/quote]
Uma nota: Gostaria de sublinhar que estas não foram as únicas "secret covers" interpretadas. A meio do espectáculo, Peter Murphy surpreendeu-me/nos com aquela que, na minha opinião, foi sem dúvida um dos pontos altos deste concerto; "In Every Dream Home A Heartache" dos Roxy Music.
Um lugar comum: O Peter Murphy é como o Vinho do Porto!
Foram inclusivé concedidos dois encores puxados por gritos de êxtase, palmas, pontapés no chão, tudo para convencer o amável Peter Murphy a dar mais um ar da sua graça ao público sedento.
Assisti a uma verdadeira batalha campal na primeira fila pela posse de uma das baquetas do baterista, vi gerações diferentes a sentirem a música de forma igual. O último encore, ao som de "Transmission", "Ziggy Stardust", "She's in Parties" foi tocado com a audiência de 500 pessoas (casa cheia) em pé, a dançar, saltar, velhos e novos, para gaudio dos que foram os senhores da noite - Peter e a sua trupe, que trocavam risos perante uma avalanche de fãs descontrolados em danças datadas e palmas eufóricas.
No final, perante uma ovação, sentia-se e via-se a carregada cumplicidade mútua.
Estava na segunda fila, e confesso que me ia dando uma coisinha quando no final ele me acenou e me veio cumprimentar. Nunca hei de voltar a lavar a minha mão esquerda.
E permitam-me deixar um conselho: ouçam Lettie.
Uma grande senhora, uma voz ainda maior. Fiquei extasiado, não estava nada à espera.
E junto do talento descomunal ainda consegue encaixar uma simpatia e humildade contagiante na sua personalidade - dirigi-me a ela no final do espectáculo para a felicitar pela actuação, vê-se que é uma pessoa verdadeiramente humana pois quis-me oferecer imediatamente dois CD's dela - consegui convencê-la a aceitar dinheiro por eles em vez de mos oferecer gratuitamente e ainda mos assinou :)
Como se não bastasse ainda se ofereceu a arranjar-me um autógrafo do próprio Peter Murphy - sem palavras!
Foi uma grande noite, tanto pelo vislumbre de um senhor da música em todo o seu esplendor como pela desoberta de uma artista como a Lettie.
Recomenda-se.
Para além duma das mais belas vozes existentes, Peter Murphy tem um repertório de grandes músicas e acima de tudo uma noção de espectáculo que poucos artistas têm (e é simpático como tudo!)
Há muitos anos que o queria ver, nunca se proporcionou mas felizmente ontem realizei o sonho e foi simplesmente perfeito.
Lettie foi uma agradável surpresa, ganhou uma fã.
Foi maravilhoso mais uma vez testemunhar a vitalidade humana e musical deste monstro.
A entrada pelas escadas foi digna de uma noite de magia como a de ontem.
Venha o disco porque estamos esfomeados...
P.S. - Ao senhor do Blitz: "Things to Remember" não foi tocado, incursões no reportório dos Bauhaus foram 3 "Too Much 21st Centuy", "She's In Parties" e "Burning From the Inside" que por acaso até abriu o concerto...
Aqui fica a setlist:
01 Burning From The Inside
02 Velocity Bird
03 Peace To Each
04 Disappearing
05 I'll Fall With Your Knife
06 In Every Dream Home a Heartache (Roxy Music)
07 Marlene Dietrich's Favorite Poem
08 Time Has Got Nothing To Do With It
09 Secret Silk Society
10 Too Much 21st Century
11 Secret
12 The Prince And Old Lady Shade
13 Uneven And Brittle
encore
14 Strange Kind Of Love / Bela
15 She's In Parties
16 Gliding Like a Whale
encore
17 Cuts you Up
encore
18 Transmission (Joy Division)
19 Space Oddity (David Bowie)