Celebrar as "quiet nights" da vida em plena agitação de noite eleitoral pode soar a contradição, mas foi isso que um Pavilhão Rosa Mota esgotado decidiu fazer. O recinto encheu para receber Diana Krall, que, como se sabe, já não cabe nas salas onde normalmente cabe o jazz.
O pretexto foi
Quiet Nights
, que é álbum para salas muito grandes, recheado de bossa nova, Burt Bacharach e outras coisas leves. Digamos que é obra para aumentar a tendência para lhe colar o rótulo de diva, o que só pode ser injusto.
É que diva não será bem a palavra. Há pouca pose em Diana Krall. Entra com os músicos em palco (em vez de os pôr a trabalhar para o suspense da sua entrada), não exagera na voz (que é a voz que se sabe), não tem mais solos do que todos os outros. Pode dizer-se que há mais quarteto de jazz do que Diana Krall, o que talvez justifique o respeito que ainda se nota na comunidade jazzística.
Os outros elementos do quarteto são Anthony Wilson (guitarra), Ben Wolf (contrabaixo) e Karriem Riggins (bateria), tudo gente com carreiras próprias e mais do que respeitáveis. É bem capaz de haver quem tenha ido só para os ver...
Agora, não se tem dúvidas de que é quarteto de Diana Krall porque quem fala entre os temas é ela. Falou bastante e com graça. Deu graxa assumida à cidade, disse que os filhos tinham ficado no hotel a deliciar-se com Vinho do Porto e charutos (têm três anos), brincou com o facto de o marido estar na Tasmânia, convidou toda a gente a ir jantar lá a casa quando a digressão acabar. Tudo naquele tom de vizinha do lado (a vizinha gira, pois então).
No meio disso tudo também houve música. 13 temas de música, dos quais só cinco pertencem ao famoso
Quiet Nights
("So Nice", "I've Grown Accustomed to His Face", "Este Seu Olhar", "The Boy From Ipanema" e, claro, "Quiet Nights"). Alguma bossa nova, portanto, mas daquela com muitas notas pelo meio, cubista, sem puxar pela facilidade da melodia. Será redundante dizer isto, mas refira-se que "Este Seu Olhar" foi mesmo cantado na língua original.
Além desses, as duas horas de música tiveram outros clássicos, como um acelerado "Cheek to Cheek" e um "I Was Doing Alright" dedicado a Oscar Peterson. Houve ainda "Love Being Here With You", "Deed I Do", "Case of You" e "Let's Fall in Love". O quarteto despediu-se por volta da meia-noite, hora jazzística por excelência, e pouco depois começou outro espectáculo: o da eficiente remoção do material, que no dia seguinte havia Bilbao na agenda.
Fotos de Miguel Puga
Texto de Sérgio Gomes da Costa
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Se calhar não causam polémica não é?!?!?
Exacto. Porque tirando isto nunca se falou na Diana krall por estas bandas. Acho isto a modos que....patético. Tivemos um agregado de bom gosto o ano passado, por alturas do verão ("o cool jazz fest"),e nada. Nem uma palavra. Pá, desculpem lá mas não tem qualquer sentido.
Quanto á artista em si, não me diz muito, mas é sempre bom que a blitz cubra eventos e ainda melhor que estes sejam do gosto dos espectadores. Parece ter sido o caso, e, sendo assim, a Diana Krall tá de parabéns.
Parece que a Blitz foi a outro concerto da Diana Krall, este era tudo menos patrocinado pela Optimus!
AhAhAhAh...