A noite foi longa para os lados de Belém, em Lisboa, e terá enchido bem as medidas de qualquer fã dos Xutos & Pontapés: dos mais novos aos mais velhos, dos mais acérrimos aos mais queques. Difícil de apurar, a média de idades daqueles que se deslocaram ao Estádio do Restelo para assistir ao primeiro concerto de estádio em nome próprio da banda e aquele que marca o final das celebrações dos 30 anos de carreira. Dos petizes mesmo muito petizes aos cabelos brancos da sabedoria, foram 40 mil os que encheram o relvado e as bancadas do quartel-general do Belenenses.
A primeira parte do espectáculo ficou a cargo d'Os Pontos Negros, mais o seu Magnífico Material Inútil, e dos Tara Perdida de um Ribas imparável, como sempre. As duas bandas que antecederam a entrada dos grandes protagonistas da noite em palco transformaram uma noite especial em mais que um concerto de parabéns: foi uma noite de celebração da música portuguesa cantada em português, com o rock como bandeira hasteada bem alto.
O palco decorado com dois gigantes X, logótipos dos Xutos dispostos um de cada lado, ajudaram a compor uma cenografia aprimorada e auxiliada por um belíssimo jogo de luzes e exercícios de pirotecnia explorados por diversas vezes durante um alinhamento que contemplou canções novas e todos os pontos altos de um percurso ao serviço do rock que este ano entrou nas três décadas de existência.
Tim, Zé Pedro, João Cabeleira, Kalú e Gui entraram em palco depois de os vermos dentro do automóvel que os transportou ao recinto e a percorrer o estádio de uma ponta à outra, sempre acarinhados pelo público (para desespero dos seguranças que os acompanhavam). "Quem É Quem", o single de apresentação do mais recente, e homónimo, álbum de originais, abriu uma actuação que se estendeu por três horas.
De
Xutos & Pontapés
, o álbum, ouviram-se ainda (bem distribuídas ao longo do alinhamento) canções como "Perfeito Vazio", "Amor com Paixão" (letra apaixonada de Zé Pedro), "Classe 79", "Sangue da Cidade" cantada/declamada pelo convidado Pacman (dos Da Weasel) e a muito celebrada "Sem Eira Nem Beira", famoso tema do "senhor engenheiro" que calhou muito bem em véspera de eleições legislativas. Zé Pedro aproveitou mesmo a deixa para incentivar ao voto, especialmente dos mais jovens ("Zé Pedro a 1º Ministro" lera-se já num cartaz empunhado por fãs devotos).
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Camané e Pedro Gonçalves, dois dos convidados no Aniversário dos Xutos & Pontapés |
Depois de "Não Sou o Único" e "Conta-me Histórias" fazerem uma ponte com o passado bastante celebrada, a banda decide passar para bem pertinho do público e oferecer uma sequência acústica na plataforma circular localizada a meio do recinto. Foi lá que, ajudados pelo contrabaixista Pedro Gonçalves (dos Dead Combo), ofereceram "O Que Foi Não Volta a Ser" e uma versão muito especial de "Homem do Leme" cantada em dueto com Camané, com uma valente ajuda de coro popular.
Em crescendo até ao final oficial do concerto (ou seja, antes dos sempre ansiados encores), a banda ofereceu "Circo de Feras", com o público a acompanhar a bateria com palmas entusiastas, "Dá Um Mergulho" (que, a brincar, a brincar, já tem quase 13 anos), "Chuva Dissolvente", "À Minha Maneira" (loucura generalizada) e "Contentores", canção que cavalga na ovação do público enquanto este salta de forma coordenada.
Um primeiro encore conta com Kalú e Zé Pedro (que "parece o Mick Jagger", como alguém afirma atrás de nós) a assumirem as vocalizações, respectivamente nos temas "Sem Eira Nem Beira" e "Submissão". Dedicada aos mais novos, "todos os que estão a ver os Xutos pela primeira vez" diz Tim, a banda oferece "Ai Se Ele Cai" (provavelmente um dos singles menos inspirados da banda, mas um clássico apesar dos seus apenas 5 anos de idade). "Dia de S. Receber" leva, como expectável, o público novamente à loucura, dando também início à trajectória final de um concerto que já ia bem além das duas horas de duração.
"A Minha Casinha", aquele tema que coloca sempre um ponto final memorável aos concertos dos Xutos, faz as já poucas resistências do público caírem todas por terra e leva a banda ao centro da plataforma no meio do relvado. Lá, Zé Pedro distribui palhetas e Kalú oferece baquetas, mas depois das vénias de agradecimento pelo carinho da audiência fiel, percebe-se que ainda há algo por ouvir. "Para Sempre", da banda-sonora do filme
Tentação
, terminaria o concerto com uma mensagem premente, caso "Para Ti Maria" não se tivesse imposto como o tema que faltava ouvir. É ao som do tema de 1988 que a audiência e a banda gastam os últimos cartuchos de uma noite que, com certeza, ficará bem gravada nas memórias de todos os que vivem e respiram Xutos & Pontapés, que não são poucos e a avaliar pela nova geração de fãs tornar-se-ão muito mais. Belos parabéns se cantaram no Estádio do Restelo.
Texto:
Mário Rui Vieira
Fotos de:
Rita Carmo/Espanta Espíritos
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Mas quero felicitá-los pelo feito. E digo "feito" porque, antes deles, apenas os GNR tinham feito concerto em nome próprio em estádios.
Num país cuja mentalidade é "para quê pagar para ir vê-los se os posso ver na minha terrinha no palco dos Bombeiros Voluntários??", 40.000 pessoas perceberam que os efeitos cénicos, a moldura humana, a preparação dum espectáculo recorrendo aos melhores profissionais e a comemoração de 30 anos valiam bem a pena o dinheiro!
E não sendo eu adepto de concertos em estádios e não sendo um grande fã das chamadas "banda de estádio", tenho que aplaudir este concerto dos Xutos!! Principalmente porque enquanto os Coldplay, U2, Green Day, Muse, Foo Fighters,.... já tocam quase sempre em estádios, os Xutos tocam onde tiverem que tocar! O exemplo que dei do palco dos B.V., não é tão descabido como possa parecer. E os Xutos têm dado sempre o corpinho ao manifesto e não se têm negado a condições menos boas ou a públicos bêbados.
Merecem a recompensa!
Ok que os Xutos de hoje não são os Xutos de há 20 anos atrás. Plenamente de acordo. Os últimos álbuns foram de uma banalidade constrangedora. A polémica da censura de "Sem Eira nem Beira" era desnecessária (os Xutos deram azo à mesma, apesar de depois terem tentado dar a volta). Os novos singles (MRV lembrou-se bem de "Ai se ele cai") deixam uma azia a quem se lembra de "Homem do Leme", "Não sou o Único" ou "Conta-me Histórias".
Mas a verdade é que são uns resistentes! Pessoas de todas as idades (na última foto, vê-se um puto a fazer o "X", mas anteontem uma senhora minha conhecida de 50 e tal anos dizia que ia ao concerto!!) participaram nesta festa.
E os clássicos existem! "78/82" e "Cerco" são palavras de ordem duma juventude que começava a viver em liberdade e que via chegar a Portugal os prazeres que já tinham passado pelos outros países há anos. Um Bairro Alto no seu topo de forma. Uma vontade de gritar "Sémen" acompanhada do instinto "edipiano" de "matar o pai" em "Mãe"!
Os Xutos resistiram. E para isso, provavelmente, tiveram que amansar. Gerir conflitos. Sobreviverem. Provavelmente nesse processo perdeu-se muita da criatividade, de mandar pedras para o charco. Mas ganharam em companheirismo e unidade.
Ontem comemorou-se isso.
Parabéns aos Xutos!
Não o vou já considerar como o concerto do ano,porque conto,até ao final deste ano,ir a mais uns quantos concertos.Mas há grande probabilidade de o vir a considerar como tál.
Fosem os Xutos Americanos,Inglêses,ou até Alemaes,e estavam bem á frente de tantas bandas de rock internacionais que por ai andam.Mas tiveram o azar de ter nascido neste cantinho á beira mar plantado.
Pelo que tenho lido por aqui,muita gente considera o ultimo album dos Xutos banal.Será que muitas desas pessoas já ouviram o album todo?
Se sim,acham que temas como "Quem é quem","O sange da cidade","Tétris Anónimus",ou "Sem eira nem beira" são temas banais?
Se consideram o disco dos Xutos banal,então o que dizer de discos como o dos 2008 ou o dos Pontos Negros?
Será que,numa musica,a letra tem assim tão pouca importância?
ps: Grande Tomás ali na ultima foto!!!
Bem, parece ter sido um concerto em cheio, como já era de esperar. Tive realmente pena de não me poder deslocar a Lisboa para ver. Como disse, era a primeira vez que daria dinheiro para ver Xutos, mas com uma expectativa tão positiva, daria sem quaisquer remorsos, ainda mais, com bandas como Tara Perdida a abrir. 2 em 1 em cheio.
Bom, parece-me ter sido uma coisa "à maneira". Xutos continuam a superar apesar dos "fartanços" pela parte do público português em relação aos milhares de concertos que dão durante os anos que passam, por cada terriola existente e por cada evento organizado. Pelos vistos, sabem mostrar o que valem e sabem mostrar que o Rock português também pode existir e pode existir com boa qualidade e com o saber de não cair na repetição mas sim continuar a inovar e surpreender os antigos e os novos fãs da banda em questão.
Não sou fã, já gostei bem menos da banda, já me "fartei" inclusive quando as noticias sobre os mesmos pareciam não ter fim, mas sei dar valor e com isto, Parabéns aos Xutos. Continuem !
Espectacular. Parabéns.
vou ter de me contentar com os seus discos é so esperar que acabe o dos Linda Martini para por a girar entre outros,o ultimo deles.
os Xutos sao grandes e quem diz o contràrio é "tolo".