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Leonard Cohen no Pavilhão Atlântico [texto + fotos]
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| Numa sala completamente cheia, e recheada de emoções, Leonard Cohen foi rei. A BLITZ de Agosto, já nas bancas, publica uma entrevista com o músico. |
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Um ano e uns dias depois de ter deixado embevecidos todos os que acorreram ao Passeio Marítimo de Algés para o receber, Leonard Cohen voltou a transformar a sua passagem por Lisboa num momento memorável. Foram três horas de concerto intensas de música e emoções. As canções estiveram lá quase todas (voltamos, como há um ano, a notar a falta de "The Guests" mas às tantas é apenas predilecção pessoal).
O Pavilhão Atlântico - uma sala à altura do músico canadiano, embora com todos os seus constrangimentos acústicos - encheu para um retrato bastante fiel da carreira de um dos maiores escritores de canções dos últimos 50 anos. Foi com uma ovação de pé que o público caloroso recebeu o ídolo e várias foram as vezes que o feito se repetiu - não só dirigido ao cantor, mas também aos músicos exímios que o acompanham.
"Dance Me to the End of Love" abriu o concerto em voz suave e quase sussurrada depois de uma entrada de Cohen em passo de corrida e ar bonacheirão. A pose solene - com o chapéu e o fato a ajudar a compor a imagem carismática - mas descontraída foi uma constante durante o concerto de um homem que só aparenta fisicamente os 74 anos que tem em cima.
Um "Obrigado meus amigos" sentido ajudou à passagem para um "The Future" cantado entre a luz e a sombra e a voz penetrante, que demonstra bem o entusiasmo com o ritmo das palavras que debita, de Cohen passa depois para "Ain't No Cure for Love". Depois de mais uns sinceros agradecimentos, "Obrigado por nos convidarem novamente a tocar em Lisboa. É uma honra tocar para vós", o músico vai provando, canção atrás de canção, que o seu ritmo muito próprio não tem par no panorama musical actual - a gestão do silêncio é extremamente fora do normal e temas como "Bird on a Wire" ou "Everybody Knows" são exemplos de uma respiração cantada muito fora do normal.
"In My Secret Life" é o dueto da noite: a voz de Cohen e da sua parceira de escrita Sharon Robinson entrelaçam-se numa dança de palavras hipnotizante - uma intimidade que só pode nascer de anos de parceria. "Who By Fire?" e "Waiting for the Miracle" continuam a envolver a audiência que aos poucos vai perdendo o pudor e deixa os aplausos e manifestações de regozijo eclodir naturalmente.
Quem sabe com Israel em mente, Cohen faz a pausa da noite, antes do hino pacifista "Anthem", com um discurso quente sobre o facto de poder tocar num "local pacífico" enquanto noutros sítios há graves problemas por resolver. O intervalo que separa as duas metades do concerto acontece após o cantor apresentar pela primeira vez a sua banda, num gesto de verdadeiro cavalheiro que o público recebe à altura, aplaudindo fortemente cada um dos elementos da equipa.
A primeira parte do concerto já tinha deixado os presentes rendidos, mas um segundo tempo que juntou os maiores marcos da carreira de Cohen levou o público literalmente ao êxtase. "Tower of Song" é servido praticamente a solo, apenas com uma caixa de ritmo e o coro como acompanhantes: "I was born with the gift of a golden voice" é a passagem da canção que leva novamente o público a deixar explodir os aplausos. "Suzanne" é o momento íntimo mais esperado e "Sisters of Mercy" recebido de pulmões bem abertos.
Em ritmos semi-latinos, "The Partisan" abre caminho para um "Boogie Street" cantado pela voz intensa de Sharon Robinson - prova inequívoca da máxima "por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher", mas claro que o cavalheiro Cohen nunca a deixaria ficar atrás de si e oferece-lhe todo o protagonismo que ela consegue agarrar.
"Hallelujah", a tal canção que Cohen assegura que foi cantada por demasiadas pessoas (as versões de Jeff Buckley e Rufus Wainwright são apenas a ponta do icebergue), é alvo de uma entrega total e o público agradece a uma só voz. "I'm Your Man" nasce então em todo o seu esplendor, apenas incomodado pelos aplausos ainda relativos ao tema que lhe antecedeu, e "Take This Waltz" desliza dos ombros para as ancas de todos os que não resistem e lá em baixo na plateia decidem levantar-se e dançar aos pares uma valsa improvisada. Nova apresentação da banda e termina o corpo principal do concerto.
O regresso para o primeiro encore é feito em grande com "So Long, Marianne" que ajuda a reunir cada vez mais público frente ao palco, ignorando os milhares de cadeiras que tem para trás. O sorriso estampado na cara de Cohen, aquele de quem já sabe que tem uma verdadeira multidão na palma da mão, ajuda a dar vida ao ritmo galopante de "First We Take Manhattan".
"Famous Blue Raincoat" é a primeira oferta de Cohen no segundo encore, em registo íntimo e encantatório - uma carta fraternal assinada no final com um "Sincerely, Leonard Cohen" que o público não deixa passar em branco. "If It Be Your Will" é entregue em mãos por Cohen às Webb Sisters que ajudam Robinson nos coros. As vozes de anjos das duas cantoras, uma empunha uma guitarra a outra uma harpa, sugam a atenção de um público que não tuge nem muge durante um dos momentos mais mágicos de uma noite recheada deles. Compensando a sensibilidade do momento, Cohen prepara-se para o encore final com um "Closing Time" em ritmo mais acelerado e festivo.
O terceiro e último encore leva o público ao colo por uma viagem instrumental - todos os presentes em palco têm hipótese de brilhar individualmente - ao som de "I Tried to Leave You". Cohen canta "Godnight, my darling. I hope you're satisfied" e os sorrisos estampados na cara de todos (umas lagriminhas aqui e ali também) não deixam margem para dúvidas: a resposta é um grandessíssimo "Sim, Cohen. Estamos satisfeitos".
Leia entrevista de Leonard Cohen na BLITZ de Agosto, que chega hoje, 31 de Julho, às bancas
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Texto de:
Mário Rui Vieira
Fotos de:
Rita Carmo/Espanta Espíritos
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Notícia escrita por
RCarmo
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Foram vários os sentimentos que me invadiram a noite passada, um arrepio constante e lágrimas, de alegria, quase a explodir. O poeta estava ali a uma curta distância e era como se cantasse só para mim, valeu o investimento de 75€ porque a emoção essa foi "priceless".
A certa altura, já se tornava impossível ao público permanecer sentado, a simpatia de Cohen funcionava como um apelo à proximidade. Aos primeiros acordes de "So Long, Marianne" já estava rendida aos pés das Webb Sisters, e foi notório o agrado de todos no palco por esta rendição do público, que juntou várias gerações.
São momentos como estes que ficarão para sempre gravados na memória dos presentes.
Se não for pedir muito, pode voltar no próximo ano?
Quando já no carro liguei o rádio, na Antena 3 estavam a passar o concerto de Franz Ferdinand, lamentei não ter capaciadade para estar em dois lugares ao mesmo tempo. E com "Take Me Out" lá fui para casa.
Só espero que cá volte mais para o norte!
Deve ter sido demais.
Gostei de ler a reportagem, e parabéns Rita pelas fotos. Nem parecem tiradas no Atlântico, dá ideia de ser um espaço muito mais acolhedor. =)
Se morasse aí estava la com certeza.
Cohen, YOU'RE THE MAN!
- First part
1. Dance Me to the End of Love
2. The Future
3. Ain't No Cure for Love
4. Bird On The Wire
5. Everybody Knows
6. In My Secret Life
7. Who By Fire?
8. Waiting for the Miracle
9. Anthem
- Second part
10. Tower of Song
11. Suzanne
12. Sisters of Mercy
13. The Partisan
14. Boogie Street
15. Hallelujah
16. I'm Your Man
17. Take This Waltz
Encore:
18. So Long, Marianne
19. First We Take Manhattan
Encore 2:
20. Famous Blue Raincoat
21. If It Be Your Will
22. Closing Time
Encore 3:
23. I Tried To Leave You
24. Whither Thou Goest
Este concerto foi uma espécie de aula prática para muitos dos ditos grandes artistas portugueses,para aprenderem o que querem ser quando forem grandes.
Espero,mas sem muita esperança,que volte a Portugal.Se não,fica a memória de uma performance de mestre.