Velha raposa do mundo da música e do entretenimento, Elton John - 62 anos compactos e sorridentes, embrulhados em camisa cor-de-rosa e casaca negra com apliques brilhantes - sabe muito. Ontem à noite, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, deu um concerto sem mácula, revisitando boa parte dos seus grandes êxitos, com enfoque nos álbuns da década de 70, ao longo de pouco mais de duas horas. Mas não é a voz - impecável, criando empatia com o público e servindo as canções - o seu único trunfo. Apesar de impressionante, também não é na forma ligeira e sem hesitações como sobrevoa as teclas do seu piano Yamaha que Sir Elton "ganha o jogo". É, obviamente, pela conjugação de todas estas mais-valias e pelas décadas de experiência, durante as quais aprendeu coisas tão simples como mostrar-se grato pelo carinho do público, que o inglês consegue ter uma sala cheia a seus pés, do início ao fim do espectáculo.
Num alinhamento de 24 canções, e apesar do reconhecimento gerado por "Goodbye Yellow Brick Road", "Daniel" ou "Rocket Man", foi sensivelmente a meio do concerto - altura em que surgiu a balada "Sorry Seems To Be The Hardest Word" - que a multidão que enchia o Pavilhão Atlântico começou a mostrar mais entusiasmo com o que se passava em palco. Acompanhado por um grupo de cinco músicos, com destaque para o guitarrista com pinta de pertencer a uma banda de hard-rock e para o baterista, Nigel Olsson, baterista de Elton John há quatro décadas, o veterano entrou em palco, de forma surpreendentemente discreta, ao som de "Funeral For A Friend/Love Lies Bleeding", primeira faixa do álbum de 1973,
Goodbye Yellow Brick Road
.
Os dois ecrãs gigantes - único "luxo" de uma produção de palco espartana - mostravam imagens de uma tempestade e a música, dramática e épica, ia de encontro a esse mesmo cenário. Antes de se lançar neste verdadeiro "tour de force", Elton John abeirou-se do público, erguendo os braços em silêncio, como que para absorver a energia que lhe transmitiam os muitos admiradores. E assim continuou ao longo da noite: no final de cada canção, aceitava os aplausos e multiplicava a intensidade dos mesmos ao levantar-se do banco do piano e apontar para as caras na multidão, acenando ao cidadão anónimo e arremessando "thank yous" mudos, pois proferidos longe do microfone. Emocionada, a plateia respondia com palmas (muitas vezes, irrompendo pelo meio das canções), coros acertados e, quando a ocasião o proporcionava ("Saturday Night's Alright For Fighting", quase disco sound; "Honky Cat", com o seu ambiente de faroeste), uma ameaça de pezinho de dança.
Mas foi, como escrevemos, com "Sorry Seems To Be The Hardest Word" que a temperatura do Atlântico começou a subir escandalosamente. Permanentemente em controlo do espectáculo, Elton John aproveitou para dedicar a canção que se seguiu - a bela "Tiny Dancer", que faz um vistão no filme
Quase Famosos
- "às mulheres bonitas desta sala". Seguiram-se vários êxitos, ora mais recentes ora mais conhecidos do grande público, como "Sacrifice" e "Don't Let The Sun Go Down On Me" - a soltarem o cantor que há em cada espectador - ou "Candle In The Wind", originalmente editada em 1974 mas reinventada, na década de 90, aquando da morte da Princesa Diana.
Mal os primeiros acordes do tema se fizeram ouvir, centenas de telemóveis fizeram as vezes de velas para "embalarem" Elton John, sozinho ao piano com a banda na penumbra. "Skyline Pigeon", do primeiro disco de sempre do cantor (
Empty Sky
, de 1969) não causou, naturalmente, o mesmo efeito, mas a frenética sequência "Are You Ready For Love?", "Bennie and the Jets", "Bitch Is Back" e "Crocodile Rock" - com todo o público de pé, entoando o refrão "a cappela" - conduziram o concerto a um final perfeito. O espectáculo de ontem à noite nem sempre teve a energia e a emoção de uma dancetaria em hora de ponta, mas quem entrasse - ou saísse - da sala a meio desta recta final nem teria outro remédio senão acreditar que sim. Mais uma vez, a isto se chama experiência, muita experiência.
No encore, Elton John surpreendeu ao dar vários autógrafos - em discos, bilhetes, t-shirts... - aos fãs das primeiras filas e despediu-se do público português com desejos de "amor e saúde" e uma dupla imbatível: "I'm Still Standing" e "Your Song". É caso para dizer: quem sabe, sabe. E quem quisesse levar a prova disso mesmo para casa, podia pagar 20 euros por um triplo CD com músicas ao vivo, fotografias e vídeos, apregoados por uma equipa de jovens vendedores espalhados pelo recinto.
Na primeira parte, Teddy Thompson, o rebento da dupla Linda & Richard Thompson, subiu ao palco acompanhado apenas de uma guitarra acústica e da bela voz encorpada que vem mostrando ao mundo desde 2000, altura em que lançou o promissor álbum de estreia.
Alto e composto, Thompson, que se apresentou aos lisboetas com o nome e a naturalidade - Londres - mostrou-se mais próximo da folk e da country americanas (sobretudo em "Can't Sit Straight", algo Cash-iana) do que da música das ilhas britânicas. Britânico é, sem qualquer dúvida, o humor deste songwriter de semblante carregado e música meiga: ao agradecer a Elton John pelo convite, deparou-se com uma ovação instantânea à estrela da noite. "Terão muito tempo para aplaudi-lo mais tarde", disparou, naquele jeito seco mas charmoso dos seus compatriotas.
"Super Trouper", uma versão dos Abba com direito a piropo a uma espectadora, foi outro dos momentos mais divertidos desta breve actuação, que poderá ter despertado a curiosidade de alguns para a obra do Thompson Junior. "O meu último disco é capaz de estar à venda aí fora. Comprem-no. Ou façam download ilegal, whatever", sentenciou, antes da última canção: "In My Arms", do tal disco que o autor deixa downloadar,
A Piece of What You Need
, do ano passado. Só não lhe digam que o sacaram.
Alinhamento do concerto de Elton John em Lisboa, a 28 de Junho de 2009 (digressão Rocket Man Tour)
1. Funeral For A Friend/Love Lies Bleeding
2. Saturday Night's Alright For Fighting
3. Burn Down The Mission
4. Goodbye Yellow Brick Road
5. I Guess That's Why They Call It The Blues
6. Daniel
7. Honky Cat
8. I Want Love
9. Rocket Man
10. Sad Songs (Say So Much)
11. Take Me To The Piot
12. Sorry Seems To Be The Hardest Word
13. Tiny Dancer
14. Sacrifice
15. Don't Let The Sun Go Down On Me
16. All The Young Girls Love Alice
17. Candle In The Wind
18. Skyline Pigeon
19. Are You Ready For Love
20. Bennie and the Jets
21. Bitch Is Back
22. Crocodile Rock
ENCORE
23 I'm Still Standing
24. Your Song
Texto de Lia Pereira
Fotos de Rita Carmo/Espanta Espíritos
tags: elton john em lisboa, fotos do concerto, reportagem, alinhamento elton john lisboa
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http://blitz.aeiou.pt/use... ---> que foi que lhe disseste pra ele olhar assim de lado? LOL
Grande fotos (em ambos os concertos) parabéns!
Este senhor, digam o que disserem, é um excelente músico!!!
Parabéns ao Sir Elton q já soube q encantou com a sua voz..apesar de não fazer nada o meu género de música..é obvio q há músicas q pelo ouvido toda a gente as conhece..e também por uma questão de curiosidade (tal como com a Katy Perry) gostava de ter ido ao concerto..mas como já disse, os bilhetes pos festivais de verão já foram caros que chegue!
Espero q quem tenha ido tenha realmente gostado!
E os meus parabens à Rita Carmo pela cobertura dos dois espectáculos..grande profissional mesmo!
=D
p.s. - quero uns óculos como os dele..ahahahah ' xD
Depois, quando devido a supostos problemas tecnicos alteraram a data e o local do concerto, tive que optar.
Optei por ver Elton John, e depois de quase 2h30 de concerto, não estou nada arrependido e sei que fiz a escolha certa.
Simplesmente fantástico e a entregue de Sir Elton John foi magnifica!
Foi a primeira vez que vi um artista dar autógrafos num concerto.
Em geral muito simpático, (quase)sempre q acabava de cantar levantava-se e agradecia ao público... casa MUITO cheia... da próxima vez que ele vier cá, também lá estou!
Mostrou-se carismático, com uma belíssima voz e, até mesmo, enérgico! Espectacular!
Agora é esperar que traga o Billy Joel :D
Mais uma vez grande Rita, fazendo um trocadilho com o nome, espanta os espíritos menos positivos que pairam sobre a Blitz, isto é, os colegas menos profissionais que nos atiram lixo informativo a todas as horas, porque isto sim é trabalho de qualidade e que se apresente num site que se intitula de musica.