Como se não bastasse serem uma das melhores coisas a acontecer ao "mundo da canção" nos últimos dez anos, os National têm a virtude de, na pessoa dos guitarristas gémeos Aaron e Bryce Dessner, terem posto de pé a compilação
Dark Was The Night
, um disco duplo de ajuda às vítimas da Sida.
Mas não é preciso recorrer ao trunfo das boas intenções para apreciar uma compilação que é, a vários níveis, um mimo. São 31 canções, quase todas inéditas e quase todas preciosíssimas, cedidas por um elenco impressionante, em número e renome.
Olhar para o alinhamento
de Dark Was The Night
é passar em revista o melhor e mais significativo que, nos anos 00, se fez em termos de pop-rock de raça indie, com tangentes à folk e à soul. A cítrica colaboração de David Byrne com os Dirty Projectors ("Knotty Pine"), a ternura dos National ("So Far Around The Bend") ou o doo-wop de Dave Sitek, dos TV On The Radio ("With A Girl Like You") são óptimas portas de entrada num álbum a todos os títulos imperdível.
Texto de Lia Pereira
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Mas a verdade é que quando comentei o outro, não vi que já existia esta mini-review no site a "Dark Was the Night" e recuso-me a ver este artigo sem quaisquer comentários. Por isso, cá vai:
Normalmente associamos os discos de solidariedade a uma espécie de "biscate artístico" dos músicos: compilações cujas canções são quase enfiadas a martelo e onde existe sempre aquela música do "vamos todos juntos gravar uma canção!". No fundo, o conceito do "Live Aid" acabou por se tornar um cliché...
Mas eis que chega "Dark Was the Night". Em que é que se distingue? Além do lote de músicos abolutamente fantástico, distingue-se pela seriedade com que é feito. Não há cá músicas para encher chouriços nem "ajudem os pobrezinhos". Há sim um conjuntos de músicos e bandas que se reuniram e fizeram uma série de canções absolutamente fantásticas.
Favoritas? Muitas, felizmente.
O groove rock dos Spoon em "Well-Alright".
Os Arcade Fire mais políticos que nunca em "Lenin".
My Brightest Diamond numa versão épica de "Feeling Good" de Nina Simone.
Uma secção de sopros a acompanhar os The National de volta em "So Far Around the Bend".
A absolutamente emocionante "Big red Machine" com os acordes fantásticos de Dessner e a arrepiante voz de Justin Vernon (aka Bon Iver).
Cat Power em formato blues em "Amazing Grace"
Antony a tornar sua a música de Dylan "I Was Young When I Left You", acompanhado pelo outro irmão Dessner.
Sufjan Stevens inconfundível em "You Are the Blood".
Sete minutos de Decemberists em "Sleepless".
A agridoce voz de Feist em "Service Bell".
E tantas, tantas outras!!!
Este é claramente um disco raro nos dias que correm. Parece existir procura sem publicidade nenhuma. Pelo menos, até agora, as únicas referências que ouvi a este álbum em Portugal foi na Radar e aquele mini-artigo na Blitz. Aproveito e faço off-topic: estou-me a borrifar que vocês metam as notícias que quiserem no fórum. Mas ao menos na revista pela qual pago 2,5€, não era má ideia desenvolverem um texto maior sobre um disco ao qual atribuem 5 estrelas. Provavelmente o álbum da Lily Allen não mereceria aquele destaque todo...Mas voltando ao que interessa:
Se existe procura, é porque isto é realmente um "dream-team" não apenas do indie, mas da música que se fez durante a década de 00. Alguns dos álbuns mais bem feitos nesta década foram feitos por pessoas que participam neste álbum!
Muita gente tem perguntado: "o que é que simboliza a década de 00"? Ou "o que é caracteriza esta década?".
Eu afirmo aqui: se tiver que mostrar a alguém como era a música em 00, pegarei neste álbum e direi que ele é um símbolo da boa música que se fez esta década!!
E no fundo este álbum acaba por conseguir cumprir dois objectivos:
- alertar e ajudar se combater um dos flagelos deste e do passado século
- servir como símbolo duma geração de músicos geniais
A noite era realmente escura, mas este álbum iluminou-a!!!
"The Poppers: Quase Famosos"?
É impressão minha ou eles já eram um das apostas da Blitz na revista número #1 de Julho de 2006?
Ora, deixa cá ver... [neste momento dirijo-me para a pilha de revistas da Blitz que religiosamente colecciono...] Conformadíssimo! Os The Poppers são apresentados nesta edição como uma das apostas musicais a ter em conta para o ano corrente [neste caso 2006, repito: 2006] isto vindo do propósito da edição do álbum de estreia da altura "Boys Keep Swinging", numa edição em que também foram colocados nomes como Razorlight e Corinne Bailey Rae como "Quase famosos".
E agora pergunto-me: Qual a razão para que quase 3 anos depois a Blitz tenha colocado novamente os The Poppers na mesma secção?
Acho que vou optar pelo vinil...
Estes dois senhores competentes conseguiram juntar nomes sonantes do mundo musical desta década e deixar um CD repleto de verdadeiras delicias e preciosidades