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Os Pontos Negros - Meninos de Coro -
Os Pontos Negros - Meninos de Coro

Os Pontos Negros actuam na Loja Optimus da Casa da Música a 5 de Dezembro.

Nasceram em Queluz e são a mais recente sensação da música rock cantada em português. Os Pontos Negros entraram rapidamente na mira de uma grande editora, que os levou a gravar o disco de estreia Magnífico Material Inútil .

É dele que sai uma das canções que marca a banda-sonora dos últimos meses: "Conto de Fadas de Sintra a Lisboa" é rock caricatura, uma visão muito própria da vida nos subúrbios. Além da música, o que mais os diferencia de outras bandas é o facto pouco usual de frequentarem uma igreja protestante e conseguirem ser bons rapazes do rock. Os Pontos

Negros nasceram numa garagem ou isso é uma visão romantizada da coisa?
Para ser exacto, nascemos na arrecadação de uma cave. Não é, de maneira nenhuma, romantizar a questão porque essa arrecadação ainda existe e está aberta a quem quiser visitá-la para confirmar a história (risos). Acima de tudo, o que nos levou a formar Os Pontos Negros foi o prazer de fazer canções e de tocarmos juntos. Não tínhamos planos para o futuro, só queríamos fazer canções, ensaiar, tocar e divertir-nos. Com o passar do tempo as coisas foram mudando, começámos a ter outros objectivos. Mas o imperativo principal ainda é o de nos divertirmos.

O que podem acrescentar à música portuguesa ou, por outras palavras, em que reside a vossa individualidade musical?
Essa é uma pergunta um bocadinho complicada, porque não estamos aqui para salvar o rock português nem para ser aquilo de que toda a gente está à espera. A notoriedade que conseguimos nestes últimos meses e o convite da Universal para gravar o disco prendem-se com o facto de em Portugal ainda não haver uma banda recente a fazer exactamente o mesmo tipo de música que nós, cantada em português. Isto é a minha opinião.

Os contos de fadas são diferentes nos subúrbios?
Não, a canção ["Conto de Fadas de Sintra a Lisboa"] é apenas uma expressão mais lírica de uma história que eu idealizei. Acho que a vida nos subúrbios pode ser muito dura e acredito que isto também passa um bocadinho por revelar a vida das gatas borralheiras dos dias de hoje. Mas é apenas uma canção, não uma história verídica. Apesar de haver muita gente que, mesmo com as condições de vida nos subúrbios de Lisboa, ainda consegue viver bem.

Qual o material mais útil que ouviram até hoje, aquele de que nunca prescindiriam, em termos musicais?
Nós temos gostos muito eclécticos e não gostamos todos das mesmas coisas. Mas há aquelas bandas que não podemos deixar de referir como preferidas de todos. Os Beatles, os Rolling Stones, aquela vaga do rock inglês da segunda metade e fim dos anos 60, como os Small Faces. Mas nomeio também bandas que são uma influência muito directa para nós: os nossos amigos Tiago Guillul e os extintos Guel, Guillul & o Comboio Fantasma. Sei que a comparação aos Strokes é inescapável, até porque as bandas quando estão a começar são geralmente rotuladas, mas acho que com o tempo isso vai funcionar a nosso favor. Até agora não tem servido como ponto de desinteresse para as pessoas que querem ouvir o disco.

Sentem de alguma forma que o vosso trabalho está dividido entre uma portugalidade inerente às letras e uma sonoridade mais estrangeira?
Nós não consideramos o rock uma sonoridade estrangeira, porque a partir de certo momento deixou de pertencer a um determinado país e passou a ser quase domínio de todo o mundo. Apesar de ter nascido num contexto anglo-saxónico, hoje é praticamente impossível ires a um país e encontrares alguém que não conheça bandas rock ou que não toque rock. O português nunca foi uma questão de opção, achámos simplesmente que é a língua em que nos exprimimos melhor e acreditamos que é possível fazer boas canções rock em português.

A religião é importante para vocês. Não sentem que isso pode ser visto pelo público como um aspecto cómico?
Não sei... A seriedade com que as pessoas encaram esse aspecto das nossas vidas acaba por ser um reflexo daquilo que os media transmitem para fora. Até porque, até agora, muito daquilo que tem sido escrito sobre nós em vez de se focar exclusivamente na música vai sempre buscar o chavão da religião para adicionar um ponto de interesse. Talvez por não ser muito habitual ver rapazes que frequentam uma igreja protestante em Portugal a fazer este tipo de música. É muito fácil ridicularizares o que quer que seja, especialmente algo de que não gostas. São coisas que não nos afectam, continuamos a fazer a nossa vida como sempre fizemos. Para nós isso é uma coisa séria, apesar de podermos brincar não levamos as coisas de ânimo leve.

É verdade que recusaram "emprestar" uma música à série Morangos com Açúcar?
A nossa recusa nasceu de dois factores, principalmente. Apesar de não termos preconceitos relativamente a programas ou estações de televisão, achámos que não seria benéfico para a imagem da banda ficar logo conotada com esta telenovela em particular. Além disso, as contrapartidas que nos ofereciam eram nulas - apenas figurar na telenovela. Estar a pedir para usar a nossa música numa telenovela que gera boas receitas e não sermos compensados por isso é não usar seriedade no trato com os artistas. Tenho pena que assim seja em praticamente todos os programas de televisão que usam músicas. Acredito que as coisas poderiam e deveriam ser diferentes.

Têm tido mais saída com as mulheres desde que começaram a aparecer? Rock e castidade têm alguma coisa a ver?
(risos) Há elementos da banda que têm namorada e que já tinham relações antes de isto começar tudo a escalar. Até agora não temos sentido a pressão, as coisas acontecem normalmente. Nos concertos não costumamos ir à procura de problemas e geralmente eles quando vêm ter connosco são muito menos do que quando nós vamos à procura deles.

Com que banda portuguesa trocariam facilmente de pele?
Há várias bandas portuguesas com as quais gostaríamos de tocar e conviver. Ainda temos um caminho demasiado longo e com demasiadas coisas boas para percorrer. Mas aproveito para dizer que gostávamos muito de partilhar o palco com os GNR. São uma das nossas bandas portuguesas preferidas ainda no activo. Com os Heróis do Mar, infelizmente, isso já não é possível mas se pudéssemos recuar uns anos, não nos importávamos também de partilhar o palco com eles.

Texto de: Mário Rui Vieira

Vídeo inserido por MFR Sexta, 21 de Novembro de 2008 às 16:13 (3 comentários )
Artistas de A a Z    ¤   Os Pontos Negros
3 Comentários
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Re: Os Pontos Negros - Meninos de Coro
por: tissa | siga este autor | enviar mensagem privada Quarta, 26 de Novembro de 2008 às 14:11, 1 ponto
Está simplesmente fantástica a "Conto de Fadas de Sintra a Lisboa"

super engraçada e original, nao me canso de a ouvir!

o videoclip está muito bom tb!

Parabéns à banda, continuem assim ;D
Re: Os Pontos Negros - Meninos de Coro
por: MikeMcCready | siga este autor | enviar mensagem privada Quinta, 4 de Dezembro de 2008 às 13:55, 1 ponto
grandas tótós.
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