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Sigur Rós no Campo Pequeno [reportagem + fotos]
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| Mais um triunfo para os islandeses. Público lisboeta acolheu, como sempre, os Sigur Rós de braços abertos e a banda confessou que Portugal é o seu país favorito para dar concertos. |
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Os espectáculos dos islandeses Sigur Rós são, como tantos outros, anunciados como concertos. A verdade, é que o rótulo é demasiado redutor para as experiências sonoras e visuais de dimensão onírica que aconteceram mais uma vez esta noite em Lisboa.
A sala do Campo Pequeno estava praticamente cheia para receber, calorosamente, os islandeses, que se vestiram de gala para conquistar uma audiência que já não precisa de ser convencida. O público de todas as idades deixou-se envolver pela névoa que pairava no recinto e o instrumental enigmático que marcou o intervalo entre a actuação dos conterrâneos For a Minor Reflection e a dos protagonistas da noite.
Quando as luzes se desligaram finalmente e a expectativa estava ao rubro, ouvem-se as primeiras gotas de "Svefn-g-englar" entre pontos tremeluzentes e começa o delírio. Rapidamente volta à memória a pergunta que permanece há anos: como é possível que de um pais tão frio venha música tão quente? A voz encantatória de Jónsi Birgisson e as melodias delicadas e ritmos pungentes rapidamente desvanecem interrogações e obrigam-nos a abandonar os sentidos à mercê de canções que nos fazem pender entre o céu e o inferno.
O mais recente
Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust
era o mote da noite e a prova de que o álbum convenceu até os mais cépticos foi a reacção efusiva a canções como "Inní Mér Syngur Vitleysingur", "Festival", "Við Spilum Endalaust" ou "Gobbledigook", tema que encerrou o corpo principal do alinhamento (sob chuva de confettis e percussão assegurada pelos membros dos For a Minor Reflection).
Entre sons de ventania, teclas sublimadas de piano labiríntico, descargas de energia que têm tanto de experimental como de genial e guitarras arranhadas com destreza (as paredes quase ganharam vida), foram nascendo canções passadas de uma carreira ímpar. Pela voz de uma clareza sobre-humana, em progressão e regressão mágicas, de Birgisson passaram "Glósoli" ou "Hoppipolla" e outras epopeias intermináveis de sentimentos.
Com o nó na garganta de quem regressa à infância das canções de embalar corrompida pela violência dos pesadelos, recebe-se já no encore (e depois de assobios e aplausos incessantes) o intimismo de "All Right", o tema que encerra com chave de ouro
Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust
. Para o final, estava guardado "Popplagið": e é com ele que a banda quase destrói o palco, abandonando-o depois de rompante. Como o público ovaciona de pé, a banda regressa duas vezes ainda para um Takk (obrigado) sentido. Não têm de quê.
Fotos de:
Rita Carmo/Espanta Espíritos
Texto de:
Mário Rui Vieira
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Notícia escrita por
RCarmo
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O concerto começou de um modo arrepiante. Svefn g englar atingiu-me como um soco no estômago e fiquei plantado, mudo, a assistir em deleite.
Depois, bem, depois não sei o que aconteceu. À medida que as músicas se iam sucedendo, senti que havia qualquer coisa que faltava (àparte das Amiina, mas isso já era esperado). Não sei se era de estarmos como sardinhas em lata, se era dos crescendos da guitarra que às vezes mais pareciam ensurdecedores muros de som - a fazer lembrar alguns concertos de bandas "progressivas" que tenho visto, as distorções são tantas que a melodia se transforma em ruído - ou o aparente fosso público - banda que pareceu espreitar por cima do ombro durante todo o concerto. Hoppípola foi talvez o único momento do concerto em que "acordei" e Gobbledigook simplesmente não funcionou na minha cabeça, pois havia um xilofone que mais parecia um constante agudo de uma faca a ser amolada, demasiado alto, que retirou todo o prazer da música.
Contas feitas, não sei bem que achar. Vou continuar a gostar de Sigur como dantes, mas com a sensação que talvez a banda mereça uma roupagem mais elaborada e um melhor cuidado com o som para se poder usufruir em qualidade. Houve quem dissesse neste fórum que foi um barrete. Talvez nem tanto, mas na minha humilde opinião, poderia ter sido uma viagem de sonho que acabou por ser feita numa 4L com os amortecedores gastos num dia de chuva.
Penso que a banda está mais apurada, o que quer que isso signifique, mas a sua essência mantém-se. O que talvez tenha mudado foi o seu público, por várias razões, mas talvez a principal e mais visível tenha a ver com a mediatização da própria banda. Resultado: vi muitas pessoas com uma postura muito estranha a assistir a este concerto. Acho que um concerto de sigur ros tem mais a ver com receber o que eles nos têm para dar, do que propriamente mostrarmos o nosso agrado com palmas ao menor acorde, palmas ao mais ensurdecedor silêncio.
Porquê tantas palmas? Porque é que nestas alturas não podemos ser um pouco franceses? Mais introspectivos, mais receptores. Nota-se um fosso abissal entre um concerto de Sigur Ros há uns anos no Coliseu, onde o silêncio imperava até ao último suspirar de Jónsi Birgisson e hoje, ontem, com pessoas a baterem palmas sem deixarem aquela magia de música imperar no silêncio do público.
Posso então dizer que o concerto não foi para mim perfeito por causa do público.
(E, depois de concertos, a minha capacidade de expressar as emoções que senti de forma decente, é reduzida, imensas desculpas).
Será que a Espanta Espíritos só sabe tirar boas fotografias?
Outra confissão minha: não conheço assim tantas músicas deles, mas aquelas que já me chegaram aos ouvidos, ficaram e posso afirmar solenemente que as ADORO. O facto de serem músicas com uma intrumentação magnífica e uns arranjos de se lhe tirar o chapéu, já valem por si a pena de assistir a um concerto deles. E se há quem não tenha gostado, que guarde as ideias para si, porque (falo por mim) chama-se a isso ser pobre e mal agradecido. Se não queriam ter ido, ficavam em casa a ver a novela.