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David Fonseca e Rita Redshoes no Coliseu de Lisboa [texto + fotos]
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| Um coliseu esgotadíssimo assistiu, boquiaberto, a um espectáculo que teve mariachis, camas em palco, stand-up comedy e muitas versões. Não falta nada a David Fonseca. |
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Que a noite de ontem no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, era especial para David Fonseca já se sabia. Mas mesmo tendo conhecimento da importância da estreia do músico português, a solo, na sala nobre da capital, é impossível conter o espanto perante o espectáculo que o cantor planeou, elaborou e protagonizou a rigor, ao longo de duas horas e meia.
Desde o arranque com um quarteto de mariachis (ideia «importada» das viagens ao Texas, quiçá?) ao desfecho muito onírico, com o nosso herói a cantar deitado numa cama, numa cena que podia pertencer a um filme de Michel Gondry, o concerto de ontem foi dos espectáculos mais elaborados a passar pelos palcos nacionais nos últimos tempos. Sem o orçamento ou os meios das mega-estrelas estrangeiras, é certo, mas com um sem fim de ideias e uma impressionante vontade de celebrar o momento – que, é bom de ver, não podia ser mais risonho para David Fonseca.
O concerto começou com um dos muitos pequenos filmes – autobiográficos e bem-humorados – que ao longo da noite foram sendo projectados numa tela frente ao palco. Estas fitas mostravam David Fonseca a meditar sobre as suas motivações e serviram para dividir o espectáculo em vários «actos», como se de uma peça se tratasse.
Depois de explicar que, muitas vezes, começa os seus projectos com a primeira coisa que lhe vem à cabeça, o leiriense fez entrar em palco quatro mariachis – um aperitivo inesperado, ao qual qual se seguiu o aparecimento da banda de David Fonseca – bateria, baixo, sintetizadores, piano e guitarra – para uma rendição absolutamente eufórica de «4th Chance», do mais recente
Dreams In Colour
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No centro das atenções, David Fonseca, com o seu habitual visual de galã modesto, mostrava-se confiante e esfusiante, ou seja, à altura do que a ocasião exigia. A orientação mais extrovertida e arejada do seu terceiro disco a solo tem-lhe rendido os frutos mais apetecíveis e a forma enérgica e determinada com que atacou cada canção não deixa margem para dúvidas – em palco, esteve um homem feliz.
Ao segundo tema, «Our Hearts Will Beat As One», o público do coliseu viu descer do tecto várias lanternas que se viriam a acender sobre as suas cabeças; em palco, David Fonseca muniu-se de semelhante aparelho para cantar uma versão de «Song To The Siren», de Tim Buckley, acompanhado apenas por uma guitarra eléctrica. O esforço em embrulhar de forma vistosa e memorável uma prenda já de si generosa era evidente, e conduziu a momentos de verdadeira euforia.
Em «Superstars II» ou «Silent Void», com David Fonseca a rodopiar numa plataforma giratória de megafone na mão e teclados ultra-new-wave por trás, o delírio do povo atingiu níveis inacreditáveis; só faltou mesmo o Presidente da República aparecer no camarote presidencial, no momento em que os focos de luz se dirigiram para o mais inalcançável dos lugares do coliseu.
À indie power-pop que frequentes vezes faz pensar nos Killers, e à queda pelos épicos «evangélicos» à la Arcade Fire, David Fonseca contrapõe belos momentos inspirados no intimismo de songwriters como Ryan Adams; foi o caso de «Kiss Me, Oh Kiss Me», com o cantor sentado em cima do piano de Rita Pereira, «Someone Who Cannot Love», o seu primeiro single a solo, ou «Hold Still», um dueto com Rita (também) Redshoes, com os dois intérpretes de costas voltadas.
Mas serão os momentos cenicamente mais caprichados a sobreviver na memória dos espectadores desta noite – em «Raging Light», David Fonseca começou por se apresentar frente a uma tela negra, com os músicos «escondidos» lá atrás, para a meio da música o pano se erguer e revelar um palco substancialmente diferente daquilo que nos lembrávamos, onde os protagonistas pareciam ter-se multiplicado. Dançarinos em trajes menores pulavam em palco, sob várias bolas de espelho, num cenário quase disco onde nem uma «Madonna» versão «Hung Up» faltou.
Igual entusiasmo causou «The 80’s», ensanduichado pela versão de «Video Killed The Radio Star», dos Buggles, e apresentando por uma rábula sobre agentes secretos, devidamente musicado pelo tema de James Bond. Aliás, a empatia que David Fonseca entabula com o público começa logo nas múltiplas referências não só musicais como televisivas às quais a geração que o ouve – grosso modo – adere sem reservas (Dartacão, Abelha Maia, etc).
O uso do kitch também serve de ingrediente a David Fonseca, que antes de recordar «Angel Song» dos Silence 4, para histeria generalizada, apresentou um medley de hits radiofónicos em modo sensível (a saber: «Wannabe» das Spice Girls, «Toxic» de Britney Spears, «Maneater» de Nelly Furtado, «Can't Get You Out of My Head» de Kylie Minogue e «Umbrella» de Rihanna, de longe a mais cantada pelo público).
A vontade de celebrar estava, como seria de esperar numa sala esgotada, ao rubro de parte a parte, pelo que ao longo de todo o espectáculo o entusiasmo fez os fãs (inclusive os masculinos) gritar frases como «faz-me um filho!».
No último encore, David Fonseca ameaçou a despedida ao entrar em palco vestido de pijama, deitado numa cama a cantar «Dreams In Colour», enquanto das bancadas voavam bolas de sabão. Mas o cantor estava ainda bem desperto, como o provou o regresso, inesperado e surreal, de toda a banda ao palco, agora mascarada de: motoqueiro, imperador romano, mágico, pato e bávaro.
«Bem-vindos ao meu sonho», proclamou David Fonseca, e esta tanto podia ser a apresentação da continuação do espectáculo, como uma descrição de toda a noite de ontem. Não sabemos se, quando começou a escrever canções, o português alguma vez imaginou que o coliseu se lhe renderia como ontem, numa apoteose de consagração. Mas há, sem dúvida, sonhos piores que este.
Vestido de militar, o Comandante David Fonseca abandonou o palco do Coliseu depois de uma extática versão de «Together In Electric Dreams», «interceptada» por «A Little Respect» dos Silence 4, e de uma apropriada chuva de corações vermelhos, feitos de papel, na cabeça dos fãs enlevados.
RITA REDSHOES
na primeira parte
Na primeira parte, muitíssimo concorrida, Rita Pereira, que toca piano na banda de David Fonseca, encarnou a personagem romântica e fantasiosa que baptizou como Rita Redshoes. Ou por já a conhecerem de outras primeiras partes do protagonista da noite, ou porque o álbum
Golden Era
tem tido justa repercussão mediática, canções como «Hey Tom», «Dream On Girl» ou «Oh My Mr Blue» encantaram a plateia, que não se esquivou a acompanhar «lovely Rita», de vestido branco e sapato evidentemente vermelho, com palmas e estalidos de dedos.
ALINHAMENTO
1. 4th Chance
2. Our Hearts Will Beat As One
3. Song To The Siren (Tim Buckley)
4. Who Are U
5. Superstars II
6. Silent Void
7. Kiss Me, Oh Kiss Me (antecedida de «Still Loving You, dos Scorpions)
8. Someone Who Cannot Love
9. Hold Still
10. Rocket Man
11. Orange Tree (inédito)
12. I See The World Through You (antecedido de «Space Oddity», de David Bowie)
13. «This Raging Light»
14. «The 80's» / «Video Killed The Radio Star (Buggles)
15. Adeus, Não Afastes Os Teus Olhos dos Meus
16. Wannabe + Toxic + Maneater + Can't Get You Out of My Head + Umbrella
17. Angel Song (Silence 4)
18. All Day and All of the Night (The Kinks)
19. Dreams In Colour
20. Together In Electric Dreams (Philip Oakey) + «A Little Respect» (versão dos Silence 4 para original dos Erasure)
Fotos de:
Espanta Espíritos
Texto de:
Lia Pereira
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Vídeo inserido por
RCarmo
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A Rita Redshoes esteve muito bem, e tem uma das presenças femininas mais bonitas em palco.
Quanto ao David Fonseca foi fabuloso. Acho que o Coliseu é demasiado pequeno para o David Fonseca, e mais uma vez mostrou que está bem em qualquer registo quer em salas pequenas quer em grandes espaços.
Ontem mostrou, mais uma vez, que é um dos musicos mais criativos e interessantes do nosso País... a forma como ele vive o seu sonho, e como se entrega, e o profissionalismo com que se dedica a tudo o que faz, vai levá-lo mais longe... sem dúvida nenhuma...
Foi uma noite memorável... e a cores :)
Gostei muito das fotos.
É com um enorme sorriso que digo que ontem tive a oportunidade de passar umas 4 horas acompanhado - além da namorada - com um concerto de Sonho – daqueles bastante coloridos – primeiramente com uma abertura sensacional da Rita, Miss Sapatos Vermelhos, depois…bem, depois com algo que ainda não está muito bem definido.
Para terminar queria só dar a minha opinião em relação a mais um aspecto.
Acho que é (quase) unânime afirmar-se que, tal como a Blitz apresentou no final do ano passado, David Fonseca, com ‘Dreams In Colour’, é O artista/álbum português de 2007. E sem me querer antecipar em demasia, julgo que agora mesmo se possa acrescentar a esse facto que o dia 12 de Abril será recordado no final do ano para intitular como O concerto português de 2008.
- Fotos excelentes, mas acho que não era necessário colocar mais do que uma do David em que ele não está a fazer nada de mais – comparando com outras situações, como por exemplo quando ele está ao telefone; ou quando está com os belos dos óculos a “brincar” com alguns hits, sendo o momento para mim mais hilariante da noite; gostava também de ver fotografado o momento em que o David e a Rita estavam a tocar juntos sentados e de costas um para o outro. Acho que foi também uma das melhores imagens que eu guardo do concerto Enfim gostei das fotos, mas gostava de ver aqui recordado em imagem outros momentos.
- Os RedShoes da Rita acho que é algo obrigatório de ser fotografado – principalmente porque é quase impossível vê-los com os amplificadores, colunas, etc. à frente :P
O texto:
- Muito bom. Faltou só descrever melhor a parte em que um espectador pede e o David diz que não pode ser [xP]: “A vontade de celebrar estava, como seria de esperar numa sala esgotada, ao rubro de parte a parte, pelo que ao longo de todo o espectáculo o entusiasmo fez os fãs (inclusive os masculinos) gritar frases como «faz-me um filho!»”; e uma ou outra coisa, mas é completamente impossível retratar totalmente o concerto o que se quer agora é um DVDzinho, talvez até é possível já que havia tanta câmara [A BLIZ SABE ALGUMA COISA SOBRE O ASSUNTO ?!]
- Acho que no "sonho" ele não era bem um soldado, era mais um napoleónico. E a Rita estava de mágica, o baterista de motar, o guitarrista de Pato Donald, o baixista à irlandês ou assim xP
O concerto:
…=o
Parabéns David!
2.º Ai Rita Rita...
http://pvmc-caja.blogspot...
Falta aí a Little Respect dos Silence 4 no alinhamento! (ou fui eu que sonhei? :D)
E foi simplesmente mágico. Concerto de um artista português com maior produção visual que já vi. Teve tudo aquilo que alguma vez poderiamos sequer sonhar em pedir.
Bolas :'), até silence 4 ele nos deu.
E o stand up comedy AH GRANDA DAVID!
Milhentas vezes me desmanchei toda a rir. Inclusivé na parte do agente secreto quando um ser brilhante do público grita a mal fadada expressão, e lá começa a música de agente secreto outra vez. PRICELESS.
Ah, claro. E como não mencionar a elaborada explicação da razão pela qual não incluiu monica sintra no medley pop ranhoso? Ninguém a iria querer a entrar sem mais nem menos pelo lado esquerdo do palco!
Opá, desde a plataforma giratória, aos mini-filmes, passando pelos dançarinos(as?)e pelo palco em si, que estava em constante mudança, FOI ESPLÊNDIDO. Pura e simplesmente esplêndido.
Mas a cereja no topo do bolo foi ele ter entrado em palco...numa cama. E as bolhinhas de sabão (L) :') tudo para o David adormecer, e nos reaparecer depois no seu sonho. Vestido de príncipe? Não sei. Fiquei a lacrimejar quando o guitarrista entrou vestido de pato Donald x)
PERFEITO.