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Police em Lisboa: reportagem -
Police em Lisboa: reportagem
Regresso feliz e sem lágrimas para Sting, Andy Summers e Stewart Copeland. Amigos como dantes? Veja o alinhamento.
Os Police actuaram em Lisboa na noite passada, num Estádio Nacional que, longe de cheio, proporcionou ainda assim uma recepção calorosa à veterana banda inglesa.

Não é preciso ter assistido à primeira passagem de Sting, Andy Summers e Stewart Copeland por Portugal, há precisamente 27 anos, para perceber que o ambiente do concerto de ontem nada, ou quase nada, terá tido a ver com o de 1980, no Restelo. Em 2007, a visita de grandes estrelas do pop-rock – e do próprio Sting – a Portugal já não constitui novidade, pelo que a plateia que, em noite de esplêndida lua cheia, aguardava o trio de Zenyatta Mondatta era essencialmente uma assistência familiar.

A BLITZ ainda encontrou, porém, alguns «resistentes» à passagem do tempo, e isto fora do palco. Foi o caso de dois amigos do Porto que se deslocaram propositadamente a Lisboa para ver os Police, depois de já terem assistido ao famoso primeiro concerto de 1980. «Eu estive no Vilar de Mouros com o Elton John, ainda ele não era conhecido!», recordava o Sr. Bessa, 65 anos no BI e muito rock na memória, enquanto com mais algumas dezenas de espectadores calcorreava a berma da auto-estrada e procurava atalhos, entre o mato, para a porta principal do Estádio do Jamor.

À entrada do recinto, muita gente comprava ainda bilhete. Em alguns casos, os interessados tentavam fazer uso da promoção levada a cabo por uma operadora móvel que, na compra de um ingresso, oferecia uma segunda entrada. No meio da confusão, um longo veículo negro de vidros fumados e com escolta policial virou algumas cabeças: seria Sting o ocupante?

Lá dentro, os Fiction Plane, banda liderada pelo filho de Sting, abriam o espectáculo. De voz impressionantemente parecida com a do pai, Joe Sumner apresentou-se – também – em formato de power trio, misturando os ecos reggae dos Police com guitarras pós-punk via Bloc Party. A receita surtiu efeito num público ainda pouco numeroso mas que, no dizer de Joe Sumner, foi o mais amável da digressão. «Venham-nos dizer olá!», incentivou Sumner Jr, antes de ceder lugar à banda do pai.

Foi ao som de «Get Up Stand Up», de Bob Marley, que as luzes do estádio se apagaram para que as do palco se acendessem e os três Police, quase invisíveis ao longe, se perfilassem no horizonte. Com a luz de centenas de telemóveis erguidos no ar, soam os primeiros acordes de «Message In A Bottle», pujante desde logo. «Tudo bem, Lisboa?», gritou Sting, que ao longo do espectáculo se dirigiria várias vezes, em português, aos admiradores.

Com «Synchronicity II» chegaram, para gáudio de todos os que não viam o concerto na primeira fila, os ecrãs gigantes: quatro laterais, mostrando imagens da banda e animações coloridas, e três atrás, exibindo Sting, Andy Summers e Stewart Copeland, por vezes em separado. «Muito obrigado a todo o mundo. Estou muito feliz de estar aqui com vocês», insistiria Sting, cuja habilidade para aprender a tocar instrumentos se estende, pelos vistos, ao domínio de línguas estrangeiras. Seguir-se-ia outro dos temas mais conhecidos dos Police, «Walking On The Moon», que gerou um dos primeiros coros monossilábicos (leia-se «yeo – ye oh oh oh») da noite.

Aparentemente mais satisfeito do que durante a última actuação no Rock In Rio, Sting metia conversa e pedia palmas, não só para si como para Stewart Copeland e Andy Summers. Quem da história da banda conheça apenas os hits, ficará a pensar que entre estes três nunca houve mais que amizade. A guerrilha interna parece, nesta altura do campeonato, coisa do passado; os músicos garantem mesmo ter usado os ensinamentos da paternidade para aprenderem a lidar, novamente, uns com os outros.

Mas se são senhores de idade – e currículo – respeitável que temos à nossa frente, não se tema que os Police façam, em 2007, música de embalar. Apesar de alguns hits propositadamente desacelerados («Don’t Stand So Close To Me», «Every Little Thing She Does Is Magic»), o concerto ofereceu-se de igual forma à contemplação – nos momentos exploratórios como «Hole In My Life» e «Wrapped Around Your Finger» - e à participação. A excelente «Can’t Stand Losing You», com a tónica reggae bem acentuada, ou a inevitável «Roxanne», com luzes vermelhas a sublinhar a «solenidade» do acontecimento, foram dois dos momentos mais celebrados da noite.

Certamente que em 1980 os Police não se entretinham a esticar as músicas com solos de guitarra ou arremedos jazzy, mas estas obras de remodelação não parecem ter provocado danos graves às fundações dos temas, na sua maioria contagiantes por natureza. Outra surpresa positiva foi a postura de Sting: se é ele quem, com o baixo omnipresente e uma voz que pouco falha, comanda o espectáculo, a impressão que fica, pela dinâmica em palco, é a de que os Police são a sua banda, e não uma simples banda de suporte ao ilustre vocalista.

Já no encore, brilharam «King of Pain», «So Lonely» e «Every Breath You Take», a famosa música sobre obsessão que público e destino adoptaram como canção de amor.

Com «Next To You», interessante descarga de energia quase punk após duas horas e pico de música controlada, os Police disseram adeus a Portugal sob uma fortíssima ovação. Sting, aparentemente a única pessoa sem frio no estádio inteiro, terminou o concerto sem casaco e dando um pequeno salto – estamos em crer que o único da noite. Stewart Copeland batia insistentemente no peito, como que dizendo que leva Portugal no coração. Deverá ter sido a última actuação dos Police no nosso país e, apesar de a temperatura entre o público não ter estado sempre ao rubro, dificilmente os «três da vida airada» podiam ter assinado melhor despedida.

Alinhamento do concerto de 25 de Setembro de 2007:

Message in a Bottle
Synchronicity II
Walking On The Moon
Voices Inside My Head / When The World Is Running Down
Don't Stand So Close To Me
Driven To Tears
Hole In My Life
Truth Hits Everybody
Every Little Thing She Does Is Magic
Wrapped Around Your Finger
De Do Do Do, De Da Da Da
Invisible Sun
Walking In Your Footsteps
Can’t Stant Losing You
Roxanne

ENCORE

King Of Pain
So Lonely
Every Breath You Take
Next To You

LP, Quarta, 26 de Setembro de 2007 às 2:44



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Vídeo inserido por LP Quarta, 26 de Setembro de 2007 às 2:44 (72 comentários )
72 Comentários
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Re: Police em Lisboa: reportagem
por: billyblues | siga este autor | enviar mensagem privada Quarta, 26 de Setembro de 2007 às 5:16, 7 pontos
Acabei de chegar do concerto, depois da viagem Lisboa-Porto.

O que mais saltou à vista foi mesmo as bancadas quase completamente vazias, e o pouco entusiasmo dos poucos presentes. Senti um pouco de apatia e não aquele ambiente de extase que esperava.
Os Police surpreenderam-me porque mostraram estar em forma, e ao contrario de todas as críticas que foram dirigidas ao Sting em relação à sua voz. Stewart Copeland e Andy Summers revelaram uma excelente técnica de execução, apesar de achar que os solos à "shred" não assentem muito bem no estilo dos Police, ainda que muito interessantes.
Destaco também as constantes jams que tornaram o concerto um bocado chato, esta paranoia da reinterpretação que meteram na cabeça só lhes prejudica, ainda por cima para uma banda que já não se junta há quase 30 anos...o público está à espera de ouvir as versões originais!
Achei também que muitas das músicas foram pouco sentidas, por exemplo a Wrapped Around Your Finger, e outras que foram também muito corridas, dava a ideia que estavam a tocar por tocar. Deviam de se aplicar mais na parte emotiva que na parte técnica, este concerto mostrou-nos essa face dos Police, a qual muito "anti-police".
A acrescentar também um bom palco, com efeitos com grelhas de iluminação de saltar à vista e uma excelente qualidade sonora.
Apesar de tudo, foi um concerto a um bom nível.

De 0 a 20 dou um 14.
Re: Police em Lisboa: reportagem
por: kacum | siga este autor | enviar mensagem privada Quarta, 26 de Setembro de 2007 às 12:36, 3 pontos
Nunca vi em toda a minha vida tanta desorganização por parte da Brigada de Transito. Falta de comunicação de colegas em que fecharam todos os acesso ao Estádio e não souberam indicar aos condutores a caminho do concerto onde estacionar. 3 horas de engarrafamento e voltas e mais voltas e mais engarrafamentos, que desistimos do concerto. 140€ para nada....
Continuam a improvisar....
por: airtigas | siga este autor | enviar mensagem privada Quarta, 26 de Setembro de 2007 às 16:22, 3 pontos
Estive em Londres há umas semanas atrás para ver os Police e na minha opinião, acho que a banda se divertiu mais a tocar no concerto de ontem do que no que vi em Londres... mas cometeu mais erros ...

Nos últimas décadas o Sting habituou-se a tocar com grandes músicos, muitos deles de jazz, que facilmente o acompanham sempre que ele improvisa, resolvendo-lhe as suas brincadeiras . Por sua vez o Andy Summers e o Stewart Copland, embora muito bons, não têm a flexibilidade dos músicos de jazz e esperam sempre que o Sting lidere as iniciativas de improviso em que se lança.... No meu entender esta atitude um pouco "snob" para um músico com a experiência do Sting, que conhece as limitações da banda, prejudicou a actuação com falhas, notoriamente no fecho dos temas.

Outra das evidências em ambos os concertos foram os arranjos para interacção com o público. O Sting mudou claramente as melodias na interacção com o público (deve estar farto dos YOYOYO's sempre da mesma maneira e naqueles sítios)... nos temas "Roxane" e "So Lonely" isto foi evidente.... o público não conseguiu acompanhar o novo registo por estar habituado a uns YO’S um pouco diferentes, aqueles que foram eternizados pelos registos "live" da banda....

Por falar em registos "live", desde muito cedo que nos habituámos a ver os Police acompanhados em palco por músicos de suporte (teclas, metais, etc. ) mas principalmente vozes (um coro de meninas que ajudavam a fazer a segunda voz do Sting) o que enchia muito mais as músicas e obrigava a que a banda a manter um registo mais consistente e orquestrado. Tal como se apresentaram ontem, sem esta rede de segurança, assistiu-se, no meu entender, a um regresso às origens ao som cru do início de carreira ... Esse é um efeito espectacular! ... como é que três tipo conseguem fazer tanto "barulho"?!

Acho que o que assistimos foi um regresso às origens mas sem um Sting tão rigoroso e perfeccionista como é nas coisas que faz a solo.

Aposto que o melhor concerto desta tour será mesmo o último, quando a coisa estiver totalmente mecanizada, mesmo os improvisos!!!
Re: Police em Lisboa: reportagem
por: popey_stones | siga este autor | enviar mensagem privada Sexta, 28 de Setembro de 2007 às 11:24, 3 pontos
estive lá, foi de loucos...

  NA ida para o estádio passei ao pé duma limosina branca o que me levou a pensar que estive a uns meros dois metros do Sting mas ao que parece esses senhores foram em carros pretos e portatno foi a primeira e única desilusão da noite...

  O concerto foi muito bom e as luzes foram fantásticas mas havia um pequeno problema... Quem foi o esupor que se lembrou de por as colunas de som a frente dos ecrãs ggigantes, mas dos gigantes mesmo...

  Fiquei a uns meros dois metros do relvado VIP talvez denominado de relvado chunga ou de relvado do que por mais que gostem dos police prezam muito pelo seu dinheiro... E sabem quem estava ao meu lado? Aquela que aparece emd uas fotos uma no ALIVE e outra nos Super Bock Super Bock ou seja, uma semi-famosa cá no site da Blitz...

  O palco estava muito preto acho que havia falta de cor... E depois? Que se foda a música estava lá!

  E adorei os arranjos das músicas ficaram muito bons mesmo e acho que o Sting é o rei do "OH ye Oh" e sons sem significado aparente xD
Police em Lisboa: reportagem
por: Vortex | siga este autor | enviar mensagem privada Quarta, 26 de Setembro de 2007 às 3:23, 2 pontos
Que músicos fabulosos, nomeadamente o Sting!
Re: Police em Lisboa: reportagem
por: Alfaiate | siga este autor | enviar mensagem privada Quarta, 26 de Setembro de 2007 às 9:33, 2 pontos
Gostei...Espetaculo digo eu!

Com os Ficition Plane, fiquei impressionado com a voz do filho do Sting, tal pai tal filho e gostei muito da performance deles..

Quanto aos Police, mostraram que ainda estao bem vivos e com uma energia enorme e com bom feeling, se calhar longe daquele que se sentia nos anos 80...
Fiquei impressionado com a prestação do Stewart Copeland, mesmo extraordinária, para a idade que ele tem. É sabido que um baterista sofre um desagaste maior que os outros membros da banda..e ele esteve spre em grande...e mostrou que é um grande baterista, só o vendo ali ao vivo é que lhe comecei a dar o devido valor e ver o pk das rivalidades com o sting..
O Andy Summer tem um tipo de solos muito estranho, tinha vz k eu pensava ..ele ta bebado? ele anda numa de psicadelismo??estranho mesmo..mas claro..ha kem adore!!Embora eu axe no geral a guitarra dos police uma guitarra muito complexa d s tocar...mas engraçada, eu sou mais a favor da simplicidade..aí é k reside toda a beleza...
O Sting, teve em grande com sempre, o contacto com o publico muito bom como spre, as palavras em portugues..correcto...soavam bem..e na "de do do do, de da da da" com o publico...foi excepcional...o publico ia buscar o tom k ele keria..muito bom!!!

Concluindo...foi um concerto muito digno de ser visto, e merecem um grande lugar na historia do rock n roll..
Love Goes On And On
por: Love Goes On And On | siga este autor | enviar mensagem privada Quarta, 26 de Setembro de 2007 às 14:25, 2 pontos
Se os bilhetes fossem mais baratos de certeza que o estádio podia estar muito mais cheio.
Re: Police em Lisboa: reportagem
por: Akired | siga este autor | enviar mensagem privada Quarta, 26 de Setembro de 2007 às 15:58, 2 pontos
Mais fotos e uma análise completa ao concerto aqui" target="_blank">http://13arte.blogspot.co... .

PS: a 2 dias do lançamento da revista, ainda não se sabe quem vai estar na capa da BLITZ deste mês?
Police no Estádio
por: dropdead | siga este autor | enviar mensagem privada Quarta, 26 de Setembro de 2007 às 16:42, 2 pontos
Não estive neste concerto dos Police,mas esteve quem para mim é referência de gosto.Falou-me de um espectáculo competente,a milhas do de 1980(aqui também havia a novidade),mas a confirmar que os Police são um bom remake do que foram,mas sem a frescura de outro tempo.
Sem novos discos nem projectos,pagar os preços deste espectáculo,num País que teve no Verão os festivais com os line-up que foram apresentados,é mesmo para quem não quer morrer sem os ver.
Vi-os em 1980 e pelos vistos não terei ficado mal.
Prefiro gastar a massa de um bilhete deles a comprar DOIS bilhetes para ver os Interpol no Coliseu,com os Blonde Redhead.
São gostos,está visto.
police at lisbon
por: v.a.s.c.o. | siga este autor | enviar mensagem privada Quarta, 26 de Setembro de 2007 às 17:04, 2 pontos
Adorei o concerto. tenho 19 anos e nunca pensei vir a realizar o sonho de os ver.

Questiono mais uma vez a utilidade do estádio nacional, pois não tem o mínimo de condições para um evento com muita gente...

A confusão de carros e transito era quase inevitável...

Os Fiction Plane aqueceram bem a malta. Nao é por serem a banda com o filho do Sting. Sao bons, são uma boa banda, soam a uns Police com um som mais actual.

Agora venho dizer o que mais me revoltou na noite de ontem...

A audiência.

Gente apática que foi ao concerto para conversar e para ouvir a roxanne. Nao posso censurar as diferentes formas de viver um concerto. mas posso questionar o estarem completamente coladas ao chao, e nao permitirem que as outras pessoas oiçam a musica com a sua conversa.

No meu caso tive mesmo de intervir, porque depois de estar aos saltinhos e a cantar juntamente com os meus amigos, duas raparigas com idades, por volta de 18 anos, me dão um pontapé. ao que eu fiquei totalmente chocado ...

respondi lhes da mesma forma e dizendo lhes que se elas não tem idade para estar ali que vão para casa para a caminha e deixem as pessoas que são fans de Police ouvirem e saborearem o concerto como queremos ...

no que toca ao mais importante que foram de facto os police, foram magicos...

Ver o Stewart Copeland com quase 60 anos a tocar com aquela velocidade, ver o Andy Summers a tocar da sua forma bastante peculiar, e claro o Sting, razão pela qual havia tanta mulher de 40 e tal anos la, a slappar como nunca.

E foi bom ver a forma como eles reinventaram e fizeram jams engraçadas. Ha que compreender que não podem tocar a next to you, truth hits everybody ou hole in my life da mesma forma ...

Conclusão: O publico podia ter se entregado mais a uma banda que merece a nossa devoção e que deu tudo em palco ...
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