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Minimal vs Maximal -
Minimal vs Maximal
Uma guerra de extremos parece estar a instalar-se nas pistas de dança. Para já, o único vencido tem sido o tédio.
Está instalada uma guerra de vontades e convicções, que tão cedo não parece ter fim. E logo num sítio onde era suposto haver uma comunhão hedonista: a pista de dança.
De um lado, a austeridade e economia de processos do house/tecno minimal. Do outro, o fogo e a expansividade de um híbrido tecno-rock para o qual se escolheu a designação «maximal».

Do lado minimalista encontra-se uma linhagem com origem na Detroit de inícios da década passada e com figuras como Robert Hood, Jeff Mills ou o canadiano transplantado Richie Hawtin (aka Plastikman).
Pelo meio, houve Herbert, Luomo e mais alguns a (in)definirem um braço a que se decidiou chamar micro-house.
E, sobretudo, uma muito activa cena alemã que desde meados dos anos 90 deu ao mundo casas editoriais tão estimáveis como a Basic Channel, Force Tracks, Kompakt ou Poker Flat.

Do lado maximalista, há um nome a quem apontar boa parte das «culpas»: Daft Punk. Em particular, os Daft Punk ácidos e barulhentos de «Da Funk», «Burnin’», «Rollin’ and Scratchin’» ou «Aerodynamic». Culpas essas que terão que ser repartidas entre os híbridos dance-rock da DFA e amigos, o pós-modernismo electroclash ou os recentes revisionismos acid-house.

Alemanha vs França

Mas um pormenor revela-se provavelmente ainda mais importante neste combate do que as origens ou fundamentos estéticos: uma latente rivalidade entre nações.
Não interessa muito que sejam dois chilenos – Ricardo Villalobos e Luciano – e um noruguês – Trentemoller – os actuais poster-boys do som minimal. Ou que os britânicos Simian Mobile Disco (o braço dançável dos indies Simian) se comecem a tornar um dos representantes mais relevantes dos maximalistas. A chave desta batalha esconde-se na origem dos financiadores – leia-se: editoras.

A barricada minimalista está sobretudo localizada em solo alemão. É lá que casas editoriais como a Kompakt, Force Tracks, Poker Flat, Trapez, Traum ou Perlon têm vindo a carregar a bandeira do minimalismo há bastante tempo.
Mas a verdade é que marcas mais recentes como a Cadenza, Mobilee, Platzhirsch ou Horizontal não têm deixado créditos por mãos alheias. No entanto, se há característica em comum entre todas elas é o facto de, na hora de editar, não terem problemas absolutamente nenhuns com a nacionalidade dos produtores. Se é bastante óbvio que os alemães ganham em número, não é menos verdade que desde os chilenos e o noruguês acima citados a britânicos (Cosmic Sandwich), holandeses (Dirt Crew), canadianos (Jeremy P. Caulfield, Troy Pierce, Matt John), espanhóis (Alex Under) ou… franceses (Jennifer Cardini), a máxima do «não me importa de onde vens» parece ser a regra para aqueles lados. Sobretudo se, como até agora, isso significar prestígio.

Sem Subtilezas

O híbrido maximalista pode ter raízes estéticas mais recentes – e até uma costela electroclash que, no actual contexto, poderá não lhe ser muito favorável na bolsa de valores do prestígio.
O interessante é que, por detrás das duas editoras-charneira deste som estão duas personagens já anteriormente envolvidas de forma muito activa na explosão French Touch: Gildas Loaec e Pedro Winter. O primeiro foi o chefe da Roulé, editora dirigida a meias com Thomas Bangalter dos Daft Punk e que, entre outros, editou «Music Sounds Better With You», dos Stardust.
O segundo era tão só o manager dos Daft Punk, Cassius e uma série de outros durante o mesmo período. Respectivamente, são os patrões da Kitsuné e da Ed Banger. E, apesar do que os dois possam dizer, ambas as editoras têm algo em comum: a música que editam manda a subtileza às malvas e prefere festejar como se não houvesse amanhã.
Quanto muito, poder-se-á dizer que a Kitsuné persegue um estilo mais glamoroso, que tende a acentuar o lado mais estilizado do electro, ao passo que a Ed Banger é aquela que carrega mais acentuadamente nas características rock.
Por outro lado, tal como os minimalistas, não têm problemas com a nacionalidade dos artistas, como o provam os discos já editados de Zongamin (japonês, Ed Banger), Simian Mobile Disco (britânicos, Kitsune) ou Digitalism (alemães, Kitsune). Estes últimos, como se não bastasse a ironia da nacionalidade, são mesmo o projecto mais importante da sua editora.

GUERRA ABERTA

Como já se disse, esta é uma guerra a todos os níveis. E o que a estimula ainda mais é o facto de as fronteiras entre o underground e a Primeira Liga parecerem ter-se esbatido de vez.
Esta parece ser, de facto, uma adesão geral, e que se manifesta de duas formas: ora tomando partidos, ora habitando um território neutro ou colaboracionista entre os dois campos. De momento, o combate está renhido.
Para já, o único vencedor é mesmo o panorama nocturno e a música, estimulantes como já há algum tempo não estavam.

Ricardo Rainho, Segunda, 31 de Julho de 2006 às 17:20

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Herbert AGIT-POP
(Este artigo tem 3 comentários )
3 Comentários
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mais votados ▼
Re: Minimal vs Maximal
por: alergias | siga este autor | enviar mensagem privada Terça, 12 de Janeiro às 20:21, 1 ponto
MAXIMAL ROCKSSSSSSSS!! :D
Viva o Minimal
por: weedm | siga este autor | enviar mensagem privada Sexta, 25 de Agosto de 2006 às 2:20, 1 ponto
O minimal para mim é só um rótulo um pouco forte para o que é realmente este estilo da musica electronica. Mas como o que se houve é musica e não rótulos fico descansado.
Viva o minimal e a musica em geral
é tudo bom som
por: Meneses | siga este autor | enviar mensagem privada Sexta, 24 de Novembro de 2006 às 17:41, 1 ponto
dos nomes avançados, os q eu conheço fazem todos boa música...o difícil é encontrá-la...e mais sítios e oportunidades para a ouvir
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Minimal vs Maximal - MINIMALISMO

Ricardo Villalobos
Chileno, há muito a viver em solo alemão. É ele e a esquizofrenia dos seus lançamentos quem parecem ditar as regras no mundo minimalista.
Essencial: Alcachofa e Thé Harem Du Archimede (álbuns), Superlongivity One (compilação) e Salvador e Achso (EPs)


Luciano
Também chileno, mas a viver na Suíça. Onde Villalobos é esquizofrénico, Luciano prefere estruturas mais simples, mas não menos intrigantes.
Essencial: Blind Behavior (álbum, como Lucien-N-Luciano) e «Yamoré», de Salif Keita (Luciano Remix).
Trentemoller
Norueguês. Dos três, o que segue modelos mais convencionais. Fez deep-house e editou pela Naked Music. Remisturou Röyksopp e The Knife.
Essencial: «Polar Shift» e «Serenetti» (máxis), «Want 2/Need 2», de Sharon Phillips (Trentemoller Remix)


MAXIMALISMO

Justice
Gaspard Augé e Xavier de Rosnay. O híbrido dance-rock que os Daft Punk perseguiram em Human After All, mas não alcançaram. Já remisturaram Britney Spears.
Essencial: «Waters of Nazareth» (máxi), «We Are Your Friends», dos Simian (Justice Remix)


Digitalism
Jens Moelle e Ismail Tufecki. Os mais ácidos e club-friendly do pelotão. Inúmeras remisturas para bandas indie/rock (Test Icicles, Tom Vek, Presets).
Essencial: «Zdarlight», «Idealistic», «Jupiter Room» (maxis)


Simian Mobile Disco Dois James: Ford e Shaw. Dois elementos do quarteto indie Simian. Ainda mais remisturas para bandas indie/rock que os Digitalism.
Essencial: «Hustler/Clik» (máxi)
 
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